Faycal Cheffou é o terceiro suspeito dos atentados no aeroporto e no metro de Bruxelas. O procurador federal belga acusou este homem de terrorismo, segundo noticia a Reuters este sábado de manhã. 

Há mais um homem acusado de terrorismo pela procuradoria belga, com o nome de Aboubakar A., detido na sexta-feira. 

Faycal Cheffou, jornalista freelancer segundo a imprensa belga, é o homem do chapéu que se vê nas imagens de CCTV do aeroporto, junto com os dois bombistas que se fizeram explodir e que já foram identificados. Interrogado na sexta-feira, o seu nome já tinha sido avançado pelos media como sendo o suspeito que fugiu do aeroporto de Zaventem. Depois de ter sido reconhecido pelo taxista que transportou os homens ao aeroporto naquela terça-feira, a confirmação estaria pendente de análises de ADN, de acordo com a RTBF. 

As autoridades também realizaram buscas à casa de Faycal Cheffou, mas não foram encontrados explosivos. 

Nove detidos por suspeita de ligações terroristas

O homem que foi detido na sexta-feira em Meiser, também em Bruxelas, continua sob custódia policial e ainda não foi formalmente acusado de nenhum crime. Ao todo, desde quinta-feira, já foram detidas nove pessoas na Bélgica e na Alemanha, por suspeita de ligações terroristas relacionadas com os atentados de Bruxelas, que fizeram 31 mortos, e os ataque a Paris, que provocaram 130 vítimas. 

Funcionário de central nuclear morto e cartão de acesso roubado

O Dernière Heure (DH) noticia que um funcionário de uma central nuclear, na região de Charleroi, foi abatido a tiro e o seu cartão de funcionário roubado. Esta informação adquire uma relevância maior quando se sabe que os dois irmãos El Brakaoui, que se fizeram explodir no metro e no aeroporto, tinham implicações na captura das imagens à casa do diretor do programa nuclear, encontradas durante as buscas a uma casa. 

A Bélgica continua em alerta máximo por causa do terrorismo, após os atentados de terça-feira. O aeroporto internacional de Zaventem continuará encerrado até, pelo menos, terça-feira. 

O coordenador para o antiterrorismo da União Europeia, Gilles de Kerchove, alertou, por seu turno, para o risco de os jihadistas cometerem ciberataques nas centrais nucleares da Bélgica e noutras infraestruturas do país, no espaço de cinco anos.

Em entrevista ao jornal Libre Belgique, publicada este sábado, De Kerchove diz que é "incapaz de dizer se há falhas na proteção" das centrais nucleares belgas, mas admite que não se surpreenderá que "no futuro, o setor nuclear seja alvo de ciberataques".

"Não creio que o ciber-terrorismo seja já uma realidade, mas não estranharia que nos próximos cinco anos haja tentativas de utilizar a internet para cometer atentados", afirmou, acrescentando que estes ataques poderiam afetar "o centro de gestão de uma central nuclear, de uma barragem, de um centro de controlo do tráfego aéreo ou um sistema de cruzamento de linhas dos caminhos-de-ferro".

Marcha contra o medo cancelada por questões de segurança

As autoridades belgas já estavam a pedir às pessoas para que não participassem na marcha de domingo em Bruxelas por motivos de segurança, sugerindo que a iniciativa, a realizar em resposta aos atentados de terça-feira, fosse adiada por algumas semanas. Um pedido que veio a ser atendido na tarde deste sábado. 

“Convidamos os cidadãos a não participarem na manifestação de amanhã [domingo]”, tinha apelado o ministro do Interior belga, Jan Jambon.

Por questões de segurança, a cantora norte-americana Mariah Carey cancelou, na sexta-feira, um concerto que tinha marcado para domingo, em Bruxelas. Mariah Carey tinha um concerto marcado para a sala Forest National, no âmbito da sua digressão europeia.

"Gosto dos meus fãs de Bruxelas, mas neste momento, impõe-se o cancelamento do concerto pela segurança dos meus fãs, dos meus músicos, da minha equipa e de todos aqueles que estão envolvidos nesta digressão", disse a cantora, na sua conta oficial na rede social Twitter.