Um ataque a uma fábrica de ar líquido, Air Products, em Saint-Quentin-Fallavie, perto de Lyon, em França, fez um morto e dois feridos, confirmou François Hollande, em conferência de imprensa em Bruxelas. O suspeito do ataque, homem com cerca de 30 anos, foi detido para interrogatório. Segundo a BFMTV, o suspeito recusa-se a falar.

Um emigrante português que esteve no local confessou estar " impressionado" com o que viu.

Em declarações aos jornalistas no local do atentado, o ministro do Interior revelou o nome do suspeito - Yacine Sali - mas ressalvou que a identificação ainda está a ser confirmada. Bernard Cazeneuve afirmou ainda que, em 2006, o suspeito foi objeto de uma ficha "S", reservada para as pessoas suspeitas de atentar contra o Estado, que não foi renovada em 2008 e que o suspeito não tem cadastro judicial.

"Foi um crime de caráter terrorista. A identidade do suspeito está a ser confirmada, mas sabemos que pode ser Yacine Sali", precisou Cazenouve, acrescentando que o homem foi detido em 2006 por radicalização, que tem ligações salafistas e que "não se sabe se a radicalização está relacionada com fatores terroristas".


Bernard Cazeneuve agradeceu ainda ao bombeiro que, "num ato de coragem", neutralizou o suspeito. 

"O suposto autor do crime foi neutralizado depois do crime por um bombeiro de Isère que entrou no local e com muita coragem neutralizou o indivíduo. Tenho de agradecer a este bombeiro pela sua prontidão na intervenção", afirmou o ministro do Interior. 


Um homem foi decapitado no interior da fábrica e, segundo uma testemunha, "a cabeça foi encontrada a dezenas metros do corpo, presa ao gradeamento" com inscrições em árabe. Já o corpo foi encontrado fora da fábrica. 




Segundo a BFMTV, um carro forçou a entrada na fábrica e embateu em várias botijas de gás, provocando uma explosão e fazendo vários feridos. Após o ataque, foi encontrada uma bandeira islâmica no interior do edifício.

"Ouvimos um grande estrondo", contou uma testemunha à BFMTV.


Um segundo suspeito, procurado pela polícia por ter sido visto a passar várias vezes frente à empresa antes do ataque, foi detido pela polícia em casa, noticia o jornal Dauphiné Libéré.

François Hollande regressa a Paris para Conselho de Defesa


O ministro do interior, Bernard Cazeneuve, deslocou-se de imediato para a empresa e François Hollande, que se encontrava em Bruxelas por causa das reuniões do Eurogrupo, vai regressar a Paris por causa do atentado. Antes de partir, o presidente francês fez uma declaração à imprensa.

"A intenção foi, de certeza, provocar uma explosão. O ataque foi de natureza terrorista", afirmou Hollande antes de regressar a Paris.


Segundo o jornalista François Beaudonnet, ao tomar conhecimento do ataque, Angela Merkel disse a Hollande estar "chocada" com os acontecimentos.
 
O presidente francês reunirá ás 15:30 com o Conselho de Defesa, anunciou o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, durante uma visita a uma fábrica.


Le Pen: são precisas "medidas firmes e fortes" contra o terrorismo


A presidente da Frente Nacional afirmou que são necessárias, "de imediato", "medidas firmes e fortes" contra o "terrorismo islamita".

"Agora, as grandes declarações devem parar. As marchas, slogans e comunicação emocional devem finalmente dar lugar à ação. Durante anos, nada foi feito contra o fundamentalismo islâmico (...) Pedimos que sejam tomadas, imediatamente, medidas firmes e fortes para derrotar o islamismo", escreveu Marine Le Pen em comunicado.


Também Nicolas Sarcozy já reagiu ao ataque. Em comunicado, o antigo presidente francês pediu ao governo que "aumente o nível de segurança". 

"Pedimos solenemente ao governo que faça luz sobre as circunstâncias exatas deste ataque e de tire todas as lições deste ataque para melhorar o nosso nível de vigilância. Depois de várias semanas, pedimos ao governo que tome todas as medidas indispensáveis para assegurar a proteção dos nossos compatriotas na continuidade das propostas que fizémos", escreve Sarkozy.

   

Vigilância reforçada nos locais sensíveis


No Twitter, o Ministério da Justiça confirmou que a secção antiterrorista de Paris está a caminho do local para ajudar nas investigações.  
Por sua vez, o primeiro-ministro, Manuel Valls, ordenou uma "vigilância reforçada" nos sítios sensíveis da região Rhône-Alpes. Fontes dos serviços de segurança interior afirmaram que "estas semanas, todos os sinais estavam no vermelho para um atentado em território nacional". 

De acordo com o Ministério do Interior, há, pelo menos, 1750 franceses nas fileiras jihadistas.