Um ataque de um grupo armado a uma povoação do meio rural na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, terá provocado vários mortos desde sábado, anunciou esta segunda-feira a televisão estatal.

Dez pessoas, entre as quais duas crianças, residentes na povoação de Olumbi, a 45 quilómetros da vila de Palma, sede de distrito, terão sido sequestradas e decapitadas, de acordo com informação divulgada pela TVM, mas que as autoridades contactadas pela estação não confirmaram.

Outros relatos na Internet, citando alegadas fontes na região, apontam para cinco a sete mortos na mesma povoação.

A Lusa tentou vários contactos com a Polícia da República de Moçambique (PRM), que confirma a realização de uma operação na zona, mas sem adiantar mais pormenores.

David Machimbuko, administrador do distrito de Palma, disse à TVM que as autoridades deslocaram equipas para Olumbi e para outra zona onde havia suspeitas de ameaças, por forma a avaliar a situação.

Segundo referiu, os ataques terão sido feitos por "homens que vão a um sítio, fazem uma incursão e depois fogem".

Aquele responsável remeteu mais detalhes sobre a situação para as autoridades policiais.

A zona costeira de Cabo Delgado tem sido alvo de grupos armados desde outubro de 2017, altura em que postos de polícia foram atacados no distrito de Mocímboa da Praia, vila que ficou sitiada durante dois dias.

Uma investigação baseada em 125 entrevistas na região, divulgada na última semana, concluiu que os grupos usam o radicalismo islâmico para atrair seguidores, aos quais pagam rendimentos acima da média, financiados por rotas de comércio ilegal de madeira, rubis, carvão e marfim, daquela região para o estrangeiro.

Estes grupos incluem membros de movimentos radicais que têm sido perseguidos a norte pelas autoridades do Quénia e da Tanzânia, refere o mesmo estudo, segundo o qual alguns elementos terão sido treinados por milícias da região dos Grandes Lagos, que, por sua vez, também têm ligações ao grupo terrorista Al-Shabaab, na Somália.

Os ataques surgiram numa altura em que estão a avançar os investimentos no terreno para exploração de gás natural em Cabo Delgado, prevendo-se que a produção arranque dentro de cinco a seis anos, no mar e em terra, com o envolvimento de algumas das grandes petrolíferas mundiais.