A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, afirmou esta sexta-feira que Portugal tem condições para fixar o défice abaixo dos três por cento, esperando que o Governo faça “voz grossa” em Bruxelas para atingir esses objetivos.

Eu penso que há condições para que isso aconteça, espero que o Governo consiga fazer voz grossa em Bruxelas, como prometeu, e certamente usar as suas influências, as suas amizades políticas, esperando que possa ajudar Portugal nesta matéria e os interesses do país que é ficar abaixo dos três por cento”, disse.

A líder centrista, que falava aos jornalistas à margem de uma visita à Feira da Juventude em Elvas, no distrito de Portalegre, sublinhou que é “muito importante” para Portugal atingir esses objetivos e que o Governo “tem todos os instrumentos” ao seu dispor para defender essa matéria.

É muito importante para Portugal poder ficar abaixo dos três por cento do défice de 2015. Eu penso que o Governo tem todos os instrumentos ao seu dispor para defender essa posição”.

Assunção Cristas recordou que existe uma “recomendação” do Eurostat para a Comissão Europeia que aborda um défice para Portugal “sem efeitos de apoio na banca”, situando-se nos 2,8 por cento, mas que a Comissão Europeia inicialmente indicou um défice de três por cento e, agora, indica um défice na casa dos 3,2 por cento.

“Certamente que é uma questão para debater, para discutir e aprofundar e o Governo tem que fazer esse aprofundamento, na minha perspetiva temos todas as condições para podermos, de facto, explorar essa divergência entre duas instituições europeias (Eurostat e Comissão Europeia) e defender aquilo que melhor serve os interesses do país que é ficar abaixo dos três por cento”.

Sobre o debate quinzenal que decorreu hoje na Assembleia da República, Assunção Cristas disse que, “infelizmente”, não obteve as respostas que gostaria de ouvir da parte do primeiro-ministro, António Costa.

Nós não estamos a ver a nossa economia a crescer, não estamos a ver emprego a ser criado, nomeadamente para os mais jovens, vemos as exportações a diminuírem, o desemprego a crescer, o investimento a parar e eu ando por todo o país e em todo o país oiço os mesmos relatos, as pessoas desconfiadas, desanimadas e a não querem arriscar”.

Perante este cenário, Assunção Cristas lamenta que o primeiro-ministro afirme que “está tudo bem” e que esta política é a “certa”.

Eu temo pelo nosso país que esta política não seja a certa e tenho feito várias perguntas nesse sentido”.

A líder do CDS-PP prometeu ainda que vai seguir “com muita atenção” e “muita preocupação” o que se passa no país, mostrando-se apreensiva com os números referentes ao crescimento económico.

Olhar para os números do crescimento económico que saíram hoje e ver 0,1 de crescimento económico, quase nada, é de facto muito preocupante”.