O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, congratulou-se hoje com o acordo para a destruição de armas químicas na Síria, que admitiu ser de «difícil concretização», e rejeitou o envio de armamento português para os rebeldes.

«Defendemos sempre que a resolução da crise síria deveria passar pela atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas através de uma resolução forte que permitisse um processo de transição política», referiu, numa audição na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades portuguesas sobre a Síria.

«Esperamos que o Governo sírio não desperdice mais esta oportunidade e concretiza rápida e credivelmente as declarações dos seus responsáveis em apoio desta iniciativa», acrescentou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, antes de admitir que o processo de destruição das armas poderá ficar concluído «até ao final do primeiro semestre de 2014».

No entanto, e no decurso da audição parlamentar que registou a intervenção de deputados de todos os grupos parlamentares, Machete sustentou que o recente acordo anunciado pelas diplomacias de Washington e Moscovo sobre a destruição de armas químicas é de «difícil implementação» e reconheceu que não partilha um «otimismo exagerado» sobre a evolução da situação.

Assim, e na sequência de uma intervenção de Mariana Aiveca, deputada do Bloco de Esquerda, e apesar de admitir que um acordo patrocinado pelos Estados Unidos e Rússia tem mais hipóteses de ser «executado e cumprido», o ministro reconheceu a complexidade do processo de destruição de armas químicas.

«O processo de destruição das armas químicas é complexo, perigoso, e pressupõe em princípio uma tranquilidade na atuação que num teatro de guerra, se a guerra continuar, não existe.»

Na sequência de ataque com armas químicas em 21 de agosto que vitimou centenas de pessoas, confirmado pelo relatório dos peritos da ONU divulgado segunda-feira, os Estados Unidos e a Rússia anunciaram um acordo sobre a destruição do arsenal químico em poder do regime de Damasco.

Na perspetiva do responsável pela diplomacia externa, e apesar de ainda «não estar afastada a hipótese de uma intervenção militar», reconheceu que a sua concretização seria «muito grave» numa região em convulsão e referiu-se à possibilidade da formação de um «Governo transitório» na Síria para que a democracia «se estabilize». «Não pensamos que uma resposta forte signifique necessariamente uma solução militar», precisou.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros destacou ainda a intervenção do ex-presidente Jorge Sampaio «no sentido de conseguir que algumas dezenas de estudantes sírios tenham possibilidade de continuar os seus estudos em Portugal», uma iniciativa apoiada pelo MNE.

No decurso do debate, e em resposta à deputada do PSD Mónica Ferro, Rui Machete assegurou «não estar nas intenções de Portugal fornecer armamento» à oposição síria.