A Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) confirmou esta quinta-feira ter sido informada por Portugal sobre um eventual transbordo de químicos sírios nos Açores, mas mantém os planos para realizar a operação em Itália.

Contactado pela Lusa por telefone, o diretor de relações públicas da OPAQ, Michael Luhan, confirmou que a organização recebeu uma «nota verbal a informar que os EUA tinham feito este pedido a Portugal».

Na quarta-feira, a OPAQ, envolvida no programa de desarmamento químico na Síria, disse desconhecer qualquer transbordo de químicos em Portugal, afirmando que a operação decorrerá num porto italiano ainda não identificado.

Hoje, o porta-voz da organização esclareceu ter tomado conta entretanto da nota enviada por Portugal, mas acrescentou que o processo se mantém: «Tanto quanto sabemos agora, este transbordo ocorrerá num porto italiano.»

Luhan recordou que «hoje vai haver um anúncio em Itália a anunciar o porto» onde decorrerá a operação.

Na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português anunciou que as autoridades norte-americanas contactaram Portugal para avaliar a possibilidade de realizar o transbordo de material químico proveniente da Síria num porto nos Açores, não havendo ainda decisão.

Em comunicado enviado à Lusa, o MNE afirmava que Portugal foi um dos países contactados pelos Estados Unidos da América, que «procuraram apurar a disponibilidade, junto de vários parceiros, de estruturas portuárias para a operação de transbordo do material químico transportado a partir da Síria num navio dinamarquês para um navio norte-americano».

«O Governo português, em articulação com o Governo regional dos Açores, e sempre norteado pela defesa dos interesses do país, efetuou consultas políticas internas e desenvolveu contactos exploratórios na hipótese de ser necessária uma instalação portuária nos Açores, formulando, designadamente, perguntas sobre fatores de ordem técnica, ambiental e de segurança, de modo a avaliar a existência de eventuais riscos desta operação», disse.

Segundo fonte oficial do MNE, a informação sobre os contactos exploratórios entre Portugal e os Estados Unidos foi comunicada à OPAQ por fax na terça-feira e entregue na quarta-feira na sede da organização, em Haia (Holanda).

Itália divulga hoje qual o porto em que se deverá realizar o transbordo do arsenal químico sírio para o navio onde será destruído, como anunciou na segunda-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano.

O anúncio decorre no mesmo dia em que o diretor geral da OPAQ, Ahmet Uzumcu, se encontra com a ministra dos Negócios Estrangeiros italiana, Emma Bonino, e vai ao parlamento italiano explicar como se fará a operação de transbordo do material químico.

Os meios de comunicação italianos apontaram os portos peninsulares de Brindisi, Tarento e Gioia Tauro, e os de Augusta, na Sicília e Cagliari, na Sardenha, como possíveis locais para a operação.

O material químico começou a sair da Síria no passado dia 07, no âmbito de um acordo sobre o desmantelamento do arsenal de armas químicas do regime de Damasco, há mais de dois anos envolvido numa guerra civil que já fez mais de 130 mil mortos.

De um navio dinamarquês, e eventualmente outro norueguês, os químicos serão levados para o navio norte-americano MV Cape Ray, equipado com sistemas de hidrólise que permitirão diluir as centenas de toneladas de gás mostarda e componentes que podem ser utilizados no fabrico de gás sarin e do agente nervoso VX.