O ex-Presidente moçambicano Armando Guebuza defende que ninguém podia imaginar a ocorrência de crises de violência xenófoba na África do Sul, depois do apoio dos países vizinhos contra o “apartheid” e que o problema não se resolve somando problemas.

“É um desafio para todos”, afirmou o ex-chefe de Estado, na segunda parte de uma entrevista concedida à Lusa, reconhecendo a existência de dificuldades, mas salientando que “os problemas não se resolvem com mais problemas e aquilo [violência] é aumentar problemas, são achas para a fogueira”.


A crise xenófoba contra imigrantes estrangeiros na África do Sul ocorreu em abril, após declarações atribuídas ao rei zulu, Goodwill Zwelithini, a mais alta autoridade tradicional desta etnia, quando desafiou os estrangeiros "a fazerem as suas malas e irem embora”, desencadeando uma vaga de violência que matou pelo menos sete pessoas, três das quais moçambicanas, e forçou à fuga de milhares.

O ex-Presidente moçambicano assegurou que não voltará à política ativa, elogiando o seu sucessor, Filipe Nyusi, e revelou que a decisão de abandonar a liderança da Frelimo já estava tomada antes do último Comité Central.

Numa entrevista concedida à Lusa, Armando Guebuza respondeu categoricamente “não” quando questionado se admitia um regresso à política ativa, depois de, em janeiro, ter abandonado a Presidência da República e, dois meses mais tarde, a liderança da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), partido maioritário há 40 anos.

“Sou antigo Presidente e por conseguinte vou fazer o papel de antigo Presidente, estudando aquilo que posso fazer para dar o contributo no reforço do prestígio deste país”, declarou o ex-chefe de Estado.


“Renamo sempre funcionou com ultimatos”

 O ex-Presidente moçambicano Armando Guebuza não estranha a ameaça da Renamo de tomar o poder pela força em seis províncias de Moçambique, considerando que o principal partido de oposição “sempre funcionou com ultimatos”.

“A Renamo [Resistência Nacional Moçambicana] sempre funcionou com ultimatos”, disse, em entrevista à Lusa, o antigo Presidente de Moçambique, negociador do Acordo Geral de Paz, em 1992, e que assinou, a 05 de setembro do ano passado, o Acordo de Cessação de Hostilidades, com o líder do maior partido de oposição, Afonso Dhlakama, para terminar 17 meses de confrontações militares na região centro do país.


O acordo foi alcançado a pouco mais de um mês das eleições gerais de 15 de outubro, cujos resultados a Renamo não reconhece, propondo-se governar nas seis províncias no centro e norte de Moçambique onde reclama vitória eleitoral, num modelo de autarquias provinciais já rejeitado pela maioria parlamentar da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), e sob ameaça de tomar o poder pela força.