Homens armadas atacaram esta tarde uma coluna militar na região de Muxúnguè, distrito de Chibabava, em Sofala, centro de Moçambique, onde o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, efetua uma «presidência aberta», disseram à Lusa populares.

Guebuza defende a necessidade de se manter o diálogo com a Renamo, um dia depois de tropas governamentais terem tomado a principal base militar do maior partido da oposição.

O tempo, disse o presidente, «não é apropriado para inimizades, pois o maior perdedor é o povo moçambicano». «Este não é o tempo para perguntar o que está certo e está errado. Se alguém pensa que está certo, então que traga a sua posição para a mesa do diálogo», insistiu.

O ex-número dois da Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, Raul Domingos, disse hoje que o país vive uma situação de «guerra não declarada», considerando que Afonso Dhlakama poderá contra-atacar à incursão do exército moçambicano à sua residência.

Afonso Dhlakama e um grupo de antigos guerrilheiros do partido por si liderado, Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o principal do país, estão em lugar incerto, após serem desalojados por uma ofensiva do exército moçambicano de uma antiga base do movimento, no centro do país.

Dhlakama havia-se instalado na referida base, em Sandjunjira, na província de Sofala, há mais de um ano, em protesto contra a alegada ditadura da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.

A Renamo, principal partido da oposição moçambicana, exige o fim da «perseguição militar» ao seu líder, para o relançamento de negociações com o Governo de Maputo, disse hoje um dos mediadores das negociações entre os dois lados.

«Durante estas duas horas em que estivemos reunidos com a delegação da Renamo, pediram-nos para transmitir ao Presidente (de Moçambique) a vontade de dialogar, mas há questões que se modificaram. Gostariam de ver do lado do Governo alguns sinais de desanuviamento para permitir que o presidente da Renamo possa reaparecer, porque neste momento, para todos os efeitos, está a ser militarmente perseguido», afirmou Lourenço do Rosário, que é igualmente reitor da Universidade A Politécnica.