O que aconteceu ao submarino ARA San Juan, que está desaparecido desde quarta-feira, com 44 pessoas a bordo, é a pergunta que todos se colocam, numa altura em que Brasil, Chile, Uruguai, Peru, Estados Unidos, África do Sul e Reino Unido ofereceram ajuda à Marinha da Argentina.

O comandante da base naval de Mar del Plata, Gabriel Galeazzi, disse, nesta segunda-feira, em conferência de imprensa, que o submarino, antes de ser dado como desaparecido, comunicou uma avaria, não havendo, desde esse momento, qualquer outra tentativa de contacto. "O navio retornou à superfície e comunicou uma avaria. O comando ordenou então ao submarino que alterasse a rota e se dirigisse para a base de Mar del Plata”, onde deveria ter chegado no domingo ou nesta segunda-feira.

Sabe-se também agora que os sete sinais de baixa frequência recebidos no sábado não correspondem às comunicações por satélite do ARA San Juan, depois de analisados os registos.

O ARA San Juan (Armada da República Argentina), de construção alemã, e com propulsão diesel e elétrica, foi alvo de uma revisão profunda em 2014. O facto de não ser um submarino nuclear traz preocupações acrescidas às autoridades, uma vez que isto significa que “tem um tempo limitado debaixo de água”, explicou à CNN o antigo oficial da marinha norte-americana William Craig Reed.

Para este conhecedor da vida nos submarinos, o ARA San Juan pode ter sofrido uma “falha catastrófica” ou pode ter perdido o contacto devido “a um problema menor”, permanecendo submerso.

Em qualquer dos cenários o tempo está a contar para os 44 tripulantes, uma vez que este submarino, apesar de poder andar em missão cerca de um mês, “isso não significa que possa aguentar 30 dias debaixo de água”.

Vai depender da última vez que recarregaram baterias, de há quando tempo refrescaram o ar e das condições internas do próprio submarino”, disse Reed.

Se por acaso se afundou, mas sem sofrer qualquer dano, terá entre uma semana a dez dias de oxigénio, de acordo com o especialista da universidade australiana de Griffith, Peter Layton. Normalmente, a cada 24 horas, um submarino com as características do ARA San Juan tem de emergir à superfície para renovar o oxigénio, recarregar baterias e enviar sinais de frequência.

Outro especialista australiano em segurança internacional, Euan Graham, lembrou, porém, que “é difícil” encontrar uma embarcação que foi concebida para não ser detetada.

Peter Layton acrescentou que no fundo do mar um submarino causa “muito pouco ruído”, o que dificulta ainda mais as operações de salvamento. Mesmo o sonar pode não ser eficaz devido à profundidade do objeto que se procura, observou ainda. 

O ARA San Juan navegava entre o porto de Ushuaia e o Mar del Plata, 400 km a sul de Buenos Aires, quando perdeu o contacto. A costa da Patagónia é conhecida pelas suas tempestades e, presentemente, ventos de 70 km/h estão a agitar as águas do Atlântico Sul, gerando ondas de oito metros, que afetam as buscas.

Enviar outro submarino para as operações de resgate poderá não ser, necessariamente, eficaz, na opinião do capitão da marinha argentina Hector Alonso, uma vez que este tipo de embarcação não tem tecnologia ou meios para realizar buscas debaixo de água.

No entanto, se o ARA San Juan foi encontrado, pelo menos um submersível terá de ser enviado para resgatar a tripulação, o que implicará novas preocupações atentendo à profundidade e posição do submarino. Junto à base naval de Mar del Plata é pelo menos essa a convicção de quem por lá passa.