Capitán tinha uma rotina: todas as noites, durante 11 anos, ia dormir junto ao túmulo do dono em Villa Carlos Paz, um município da província de Córdoba, na Argentina. Agora foi a vez do cão rafeiro, com traços de pastor alemão, descansar. O animal, com cerca de 15 anos, acabou por morrer, segunda-feira, no mesmo cemitério.

Capitán descobriu o túmulo do dono em 2007, dez meses após a morte de Miguel Guzmán. O fiel amigo de quatro patas era conhecido e querido pelos funcionários do cemitério, recebia alimentos e tratamento veterinário.

Nos últimos tempos, Capitán já andava com dificuldade, tinha perdido parcialmente a visão e sofria de insuficiência renal.

O veterinário Cristhian Stempels afirmou ao jornal La Voz que, tendo em conta a idade e as condições de saúde, o animal poderia ter sido internado para que morresse numa clínica. Mas o médico explicou que optaram por fazer o atendimento no cemitério, onde Capitán vivia e se sentia tranquilo.

Ninguém sabe como o cão chegou ao local. A família diz que desapareceu após a morte de Miguel Guzmán e que, meses depois, foi encontrado junto ao túmulo. Foram feitas tentativas para levar o animal para casa, mas sem sucesso.

Guzmán morreu num hospital e, de acordo com os familiares, Capitán não acompanhou o velório ou seguiu o cortejo funerário até ao cemitério.

O diretor do cemitério, Héctor Baccega, contou ao La Voz que o animal chegou sozinho e deu voltas até encontrar a campa. Apesar de andar solto e dar passeios durante o dia, voltava e deitava-se em frente ao jazigo todos os dias ao fim da tarde.

O destino de Capitán ainda está por decidir. De acordo com o jornal El Clarín, as associações de proteção animal de Córdoba pedem que o animal seja enterrado ao lado do dono, mas a autarquia pretende cremá-lo, enterrá-lo numa praça e construir um monumento em sua homenagem.

A história de Capitán faz lembrar o caso de Hachiko, um cão japonês que acompanhava o dono, um professor do Departamento de Agricultura da Universidade de Tóquio, no trajeto até à estação de comboios de Shibuya. Depois da morte do dono, em 1925, o animal manteve a rotina como se o dono continuasse vivo.