A dieta de uma pequena aranha da Malásia pode ser chave para reduzir a propagação de algumas das piores doenças do mundo, como a malária, de acordo com uma investigação levada a cabo por cientistas da Nova Zelândia, Singapura e China.

Os investigadores descobriram que uma aranha da Malásia (Paracyrba wanlessi) foi o primeiro e único predador conhecido a especializar-se em predar mosquitos durante todas as etapas do ciclo de vida dos insetos, explicaram hoje cientistas da Universidade de Canterbury envolvidos no estudo.

«Isto é notável porque a larva ou a pupa [estágio intermédio entre a larva e o inseto adulto] que vivem na água são muito diferentes do mosquito que nos importuna em busca de sangue», afirmou a investigadora Fiona Cross em comunicado.

«A aranha não precisa de aprender como identificar e capturar nestes diferentes estágios do mosquito. Nós demos à aranha a escolha entre inúmeras presas e consistentemente ela foi para os mosquitos, independentemente se eram ‘juvenis’ ou adultos», acrescentou, citada pela agência Xinhua.

Na Malásia, a aranha Paracyrba wanlessi vive em brotos de bambu caídos onde a água entra na madeira através de pequenos buracos tornando-os um local ideal para encontrar mosquitos ‘juvenis’ na água ou adultos que regressam à água para depositar os ovos.

«Encontrar predadores que singularizam mosquitos como presa preferida é especialmente interessante para as pessoas porque eles matam os vetores de algumas das mais graves doenças humanas, com a malária a figurar no topo da lista», frisou Cross.

«Nesta fase não podemos dizer se a Paracyrba wanlessi vai ser útil no contexto do controlo dos mosquitos, mas o mais importante passo é saber mais sobre a biologia deste predador único», concluiu.