Um guarda fronteiriço saudita morreu no domingo atingido por fogo e morteiros lançados do Iémen. Dois soldados ficaram feridos gravemente. A notícia foi confirmada esta segunda-feira pelo ministro do Interior, de acordo com a Reuters. Já são vários os militares sauditas mortos nesta troca de fogo que dura há cerca de três semanas.

A morte do guarda é um rastilho ou um presságio de que o conflito que diplomaticamente já extravasou a fronteira iemenita, também quer passar as fronteiras físicas do país, que vive sem presidente há mais de 15 dias, desde que este se refugiou no país vizinho, a Arábia Saudita. E foi esse o momento-chave que levou o governo saudita a anunciar os ataques aéreos contra os rebeldes iemenitas.

Uma decisão apoiada por uma coligação de nações árabes e dos Estados Unidos e a oposição do Irão.

Na resposta ao ataque fronteiriço de domingo, a Arábia voltou esta segunda a perpetrar vários ataques aéreos na capital iemenita, Sanaa, de modo a atingir alvos dos rebeldes que querem o poder do país, e que acabaram por matar um apresentador de televisão e ferir os seus colaboradores, como noticia a cadeia afeta aos hutis, a al-Masirah, citada pela Associated Press.

Segundo testemunhos recolhidos pela AP, estes foram os ataques mais violentos levados a cabo pela Arábia Saudita desde que começaram os bombardeamentos. O impacto terá provocado danos em vários edifícios, muitos vídeos partidos e pânico generalizado na população. A al-Masirah refere que houve baixas e outras pessoas ficaram feridas. 
  Um oficial, que falou à AP sob anonimato, disse que os bombardeamentos tendem a atingir essencialmente as montanhas em redor da capital iemenita onde os sauditas suspeitam que os rebeldes escondem os mísseis Scud. 
O líder rebelde reitera que não se rende: «Quem pense que nos vamos render está a sonhar», cita a CNN.  Nestes ataques, a coligação árabe liderada pela Arábia Saudita coloca sempre como alvo os rebeldes hutis, não mencionando o braço armado da al Qaeda no país. No entanto, o «Economic Times», que ouviu alguns especialistas, revela que o grupo extremista tem «capitalizado» com a situação, o que coloca os sauditas numa posição difícil, entre uma aliança com a al Qaeda para travar os rebeldes hutis e as consequências de atacar também estes.
  O tempo dirá até onde aguentam os rebeldes, a coligação árabe ou o povo iemenita. 

O Iémen vive um clima de guerra civil há meses. O presidente Hadi foi obrigado em fevereiro a abandonar a capital e a refugiar-se na cidade portuária de Aden. No final de março, por seu turno, à medida que a investida dos rebeldes avançava, o presidente foi obrigado a abandonar o país. 

Para trás ficou um povo no meio de uma guerrilha entre rebeldes e forças governamentais, numa situação «dramática», como descreveu há dias a Cruz Vermelha.
  A agenda do Conselho Europeu desta segunda-feira não deve esquecer o tema da ordem de trabalhos, depois do líder religioso iraniano ter acusado a Arábia Saudita de «genocídio». Problemas para os quais muitos só veem como solução fugir.