Os combates entre fações rivais iemenitas prosseguiam esta quarta-feira em várias cidades do sul do Iémen, apesar do anúncio do fim da campanha aérea da coligação internacional liderada pelos sauditas, segundo relatos de moradores.

Confrontos foram registados nomeadamente em Aden, Taëz, Dhaleh e Houta, de acordo com habitantes, informa a agência AFP.

Os rebeldes xiitas hutis tomaram o campo de uma brigada fiel ao presidente Abd Rabbo Mansur Hadi perto de Taez, no sudoeste do Iémen, disse um oficial do exército iemenita.

O campo da brigada blindada, situada à entrada norte da cidade, foi tomado após violentos combates, que fizeram «dezenas de mortos e feridos» dos dois lados, acrescentou o mesmo oficial, que se encontrava no interior da base.

De acordo com o oficial iemenita, armamento pesado e rockets foram usadas nos combates.

Um representante do Crescente Vermelho iemenita indicou que a organização não tinha conseguido enviar equipas de socorro para o campo «devido à intensidade dos combates», como refere a Lusa.

Esta notícia surge depois da coligação internacional liderada pela Arábia Saudita  ter declarado, na terça-feira, o fim da sua campanha militar no Iémen, um mês após o início dos ataques aéreos, e o início de uma «nova fase» da intervenção, segundo a televisão oficial saudita.

Ao justificar a decisão, os responsáveis da coligação asseguraram que foi «eliminada a ameaça» que existia sobre a Arábia Saudita e seus vizinhos, numa referência ao rebeldes xiitas hutis do Iémen, o principal alvo da intervenção militar.

A coligação «terminou a operação Tempestade Decisiva na sequência de um pedido do governo iemenita do Presidente Abd Rabbo Mansur Hadi», segundo referiu em conferência de imprensa na capital saudita o seu porta-voz, general Ahmed al-Assiri.

Para além da guerra física, tem havido uma «guerra de palavras», já que o Irão se opunha à intervenção saudita, apoiada por alguns países árabes e logisticamente pelos Estados Unidos. 

Por isso mesmo, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou o Irão face à sua eventual ajuda aos rebeldes huthis no Iémen e assegurou que Washington vai garantir «a liberdade de navegação» na região do Golfo Pérsico.

Numa entrevista à cadeia televisiva MSNBC, Obama fez referência aos barcos iranianos que atualmente se encontram em águas internacionais e que, segundo algumas informações, poderiam seguir em direção ao Iémen para fornecer armas aos rebeldes.

«Existe uma razão pela qual mantemos alguns dos nossos navios na região do Golfo Pérsico e essa é garantir que mantemos a liberdade de navegação», afirmou o Presidente norte-americano.