A família de um jovem que foi condenado à morte na Arábia Saudita por ter participado num protesto apelou para que a vida do adolescente seja poupada. Abdullah al-Zaher, de 19 anos, poderá ser decapitado a qualquer momento por ter participado numa manifestação quando tinha apenas 15 anos.

Abudullah al-Zaher foi o mais novo a ser detido, em março de 2012, depois de uma série de protestos no país conservador. A sua história é em tudo semelhante à de Mohammed al-Nimr, também condenado à morte, que correu o mundo há poucas semanas.

Os dois jovens até estiveram detidos no mesmo estabelecimento prisional. Agora, Abdullah foi enviado para uma solitária e tudo indica que poderá ser decapitado a qualquer momento.

Desesperado, o seu pai, Hassan al-Zaher, fez um apelo emocionado, em declarações ao jornal britânico  The Guardian. Hassan al-Zaher disse que o filho não merecia morrer "só porque participou num protesto".

“Por favor ajudem-me a salvar o meu filho. Ele não merece morrer só porque participou num protesto.”


Abdullah foi acusado de ter participado em várias ações de protesto, entoado vários slogans e cânticos, lançado cocktails molotov e incendiado um carro.

A família e o grupo de ativistas Reprieve dizem que Abdullah foi torturado pelas autoridades sauditas e impedido de ver familiares ou o seu advogado. Mais, segundo o pai, o jovem terá sido obrigado a fazer uma confissão "fabricada pela polícia".

“Ele foi forçado a assinar um documento que a polícia fabricou e que ele não pode ler. Ele disse-me que não tinha atirado cocktails molotov nem nada semelhante."


A Arábia Saudita é um dos países que mais recorre à pena de morte. De acordo com a Amnistia Internacional, o país já executou 102 pessoas nos primeiros seis meses deste ano – um número de execuções superior ao total referente a 2014.

O país conservador e de maioria sunita condenou à morte 52 homens por alegadas suspeitas de terrorismo. Sete dos condenados são xiitas, uma minoria religiosa no país, que tem protestado contra a discriminação por parte do governo. Entre os condenados estão Abdullah e Mohammed.