O alegado autor de uma explosão no domingo na Alemanha era um refugiado sírio que já tinha passado por um hospital psiquiátrico, afirmou nesta segunda-feira o ministro do Interior da Baviera, que não excluiu a possibilidade de atentado islamita.

Trata-se, infelizmente, de um novo atentado" e "não está excluída" a motivação islamita, afirmou Joachim Herrmann, ministro do Interior da Baviera, em conferência de imprensa, durante a madrugada.

Já um porta-voz da polícia da Baviera foi mais cauteloso e disse, nesta manhã, não serem ainda claras as motivações do bombista e se era ou não um islamita.

Na mochila do suspeito foram encontrados vários explosivos e peças de metal.

Em declarações aos jornalistas, o governante revelou que o suspeito, de 27 anos, que morreu na explosão, já havia tentado suicidar-se por duas vezes e era um sírio que viu negado o seu pedido de asilo há um ano. Segundo fonte das autoridades à agência Associated Press (AP), este refugiado recebeu duas ordens de deportação, a última das quais no passado dia 13.

“É terrível que alguém que tenha vindo para o nosso país em busca de asilo tenha cometido um ato hediondo, ferindo várias pessoas, algumas com gravidade”, disse Joachim Herrmann.

A explosão ocorreu na cidade de Ansbach, na Baviera, na noite de domingo, em frente ao restaurante Eugens Weinstube, e perto do local onde iria realizar-se um festival de música, onde estavam concentradas cerca de 2.500 pessoas. Foi o quarto ataque nesta região no espaço de uma semana.

É mais um horrível ataque que vai aumentar ainda mais as preocupações com a segurança dos nossos cidadãos. Temos de fazer todos os possíveis para evitar que mais situações violentas destas, envolvendo refugiados, possam ocorrer”, considerou, ainda, o ministro.

O autor da explosão morreu e, de acordo com a polícia, 12 pessoas ficaram feridas, três delas com gravidade.

Antes de detonar o explosivo, o homem tentou aceder ao recinto do festival, mas não conseguiu por não ter bilhete. Mais de 2.000 pessoas foram retiradas do local.

O suspeito, cuja identidade não foi revelada, vivia num albergue de Ansbach e chegou à Alemanha há dois anos. Pediu asilo, mas foi-lhe negado no ano passado e o processo de repatriamento esteve suspenso durante algum tempo por causa da situação na Síria. Não era, segundo o ministro, considerado uma ameaça para a sociedade.

Ansbach situa-se a sudoeste de Nuremberga e é também onde se encontra uma base militar norte-americana.

As motivações do ataque estão, agora, sob investigação, mas um oficial dos serviços secretos norte-americanos, sob anonimato, disse à agência Reuters que os investigadores vão centrar-se em três pontos: no que o homem fazia antes de deixar a Síria, por que lhe foi negado asilo e se tinha motivações pessoais ou políticas.

O ministro do Interior alemão rejeitou hoje toda a "suspeita generalizada" em relação aos refugiados depois dos atentados ou agressões dos últimos dias na Alemanha.

Não devemos colocar os refugiados sob uma suspeita generalizada, mesmo se há processos, em casos isolados" contra alguns deles, declarou Thomas de Maiziere ao grupo de media Funke, em relação aos recentes ataques.