O secretário executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, considerou esta sexta-feira que Angola e Portugal «vão saber ultrapassar este pequeno problema» diplomático relacionado com o anunciado fim da parceira estratégica entre os dois países.

«Ainda não foi necessário a intervenção da CPLP enquanto organização. Acho que tanto Angola como Portugal vão saber ultrapassar este pequeno problema, pois têm condições suficientes para o fazer, tendo em conta as relações históricas que nós temos», afirmou Murade Murargy, de visita a São Tomé e Príncipe.

«Não é motivo que me preocupa ainda como secretário executivo da CPLP. Nós estamos a acompanhar a situação, é um assunto ainda ao nível bilateral que diz respeito a Portugal e Angola», acrescentou o secretário executivo.

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou no dia 15, em Luanda, o fim da parceria estratégica com Portugal, durante o discurso sobre o estado da Nação, na Assembleia Nacional de Angola, apontando «incompreensões ao nível da cúpula e o clima político atual».

Desde então, tem havido uma série de afirmações de responsáveis dos dois países sobre esta questão. A parte portuguesa tem procurado relativizar o problema mas, na quarta-feira à noite, o chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, disse, em entrevista à Televisão Pública de Angola, que Luanda deixou de considerar prioritária a cooperação com Portugal, elegendo África do Sul, China e Brasil como alternativas.

A situação politico militar em Moçambique, a situação na Guiné-Bissau e adesão da Guine equatorial como membro de pleno direito da CPLP e o processo de reforma da CPLP, dominaram o encontro de Pinto da Costa com o secretario executivo da CPLP.

Sobre a Guiné-Bissau, o diplomata moçambicano minimizou o caso.

«Um conflito entre a CPLP e a Guiné-Bissau não existe. Há sim um problema interno da Guiné-Bissau que tem que ser resolvido», disse.

«Nós estamos a trabalhar com outras organizações internacionais com vista a normalização da situação», explicou acrescentando que a CPLP também vai «contribuir para a realização das eleições na Guiné-Bissau».