O grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G7) poderá endurecer as sanções contra a Rússia. O aviso foi feito no final da cimeira que decorreu na Alemanha, em que o presidente dos EUA acusou Moscovo de continuar com tropas no conflito do leste da Ucrânia.

“Como vimos nos últimos dias, as forças russas continuam a operar no leste da Ucrânia, violando a soberania e a integridade territorial da Ucrânia”, disse Barack Obama, numa conferência de imprensa realizada no final da reunião, que se realizou nos Alpes bávaros.


O chefe de Estado norte-americano avisou ainda Moscovo de que novas sanções se poderão juntar às sanções em vigor, se o cessar-fogo negociado em Minsk, em fevereiro, não for implementado na sua totalidade.

“Se for necessário, estamos prontos para impor mais sanções significativas contra a Rússia”, disse Obama.


Os avisos ao Kremlin não se limitaram aos do presidente norte-americano. Angela Merkel e François Hollande, que estiveram nas negociações de fevereiro, em Minsk, também fizeram questão de avisar a Rússia em nome dos G7.

"Condenamos de forma unânime a tomada da Crimeia, que é contra a legislação internacional", disse Merkel na conferência de imprensa.


A líder alemã frisou ainda que o conflito ucraniano "só pode ser resolvido politicamente", tendo como base o acordo fevereiro. E deixou um aviso a Moscovo, que foi afastado em 2014 das reuniões do grupo das maiores potências, precisamente por causa do conflito na Ucrânia.

"Também estamos prontos, caso a situação se agrave - o que não pretendemos -, para endurecer as sanções", disse Angela Merkel. Uma posição reforçada pelo presidente francês.

 
"Se ficar demonstrado, primeiro de tudo, que a Rússia continua a armar e a ter uma presença militar no leste da Ucrânia (...) então poderemos justificar um aumento de sanções", disse François Hollande, anotando que é provável que, até ao final do ano, haja uma extensão daquelas que estão em vigor.

“Reféns do atual governo ucraniano"

Em março, os líderes europeus acordaram manter as sanções contra Moscovo até à implementação total do acordo assinado na Bielorússia.

A Rússia tem negado todas as acusações de envolvimento no conflito e responsabiliza o executivo de Kiev pela situação.

"Os nossos parceiros europeus tornaram-se reféns do atual governo ucraniano", disse esta segunda-feira o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, em Moscovo, depois de um encontro com o homólogo bielorusso, Vladimir Makei.


Lavrov acusou ainda Kiev de agravar as tensões no terreno antes da cimeira dos G7, para evitar qualquer levantamento de sanções internacionais.

Última atualização às 16:26