Quem era Andreas Lubitz já se sabe. A pergunta que agora paira é o que terá levado o copiloto a atirar contra as montanhas dos Alpes o A320 da Germanwings com 149 pessoas a bordo. As suspeitas são várias e a mais recente está relacionada com um problema de visão de que Lubitz alegadamente padecia.

Segundo o «Le Figaro», o piloto teria perdido 30% da visão, o que colocava em causa o sonho de Lubitz de se tornar piloto de longo curso. O mesmo jornal avança, citando fontes ligadas à investigação do acidente, que os investigadores não excluem que esta lesão seja uma das causas da depressão de Lubitz por ver o sonho de se tornar piloto de longo curso na Lufthansa - empresa mãe da Germanwings - ser colocado em causa.

A informação de que o copiloto tinha perdido já 30% da visão surge depois do «The New York Times» ter avançado que Lubitz tinha procurado tratamento para alegados problemas de visão. Problemas que, segundo o jornal, podiam colocar em risco a sua carreira como piloto. Apesar dos novos dados, a mesma notícia deixava claro que os investigadores não sabiam ainda se os problemas de visão tinham causas físicas ou psicológicas e se o estado da lesão era ou não avançado. 

Já este domingo, o jornal alemão «Bild» revelou que o problema de visão do piloto se trata de um descolamento de retina, lesão que se não for tratada de forma rápida pode levar à perda de visão do olho afetado. No entanto, mesmo que o descolamento da retina seja tratado, há perda parcial da visão, o que também colocaria em causa a carreia de Lubitz como piloto de aviação.

Esta segunda-feira foi a vez do jornal francês Le Figaro avançar que o copiloto alemão tinha já perdido 30% da visão, mas sem especificar qual o problema de visão de que Andreas Lubitz sofria, adiantando apenas que se tratava de uma doença «muito grave, suscetível de se agravar». 

Medicamentos para problemas psicossomáticos encontrados nas buscas

Durante o fim-de-semana, ficou também a saber-se que Andreas Lubitz sofreria de um problema chamado Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e ter-lhe-iam sido receitados medicamentos para a doença.

Os médicos que acompanhavam Lubitz ter-lhe-ão receitado injeções de Olanzapina (um antipsicótico usado para tratar esquizofrenia e transtorno bipolar) e a prática de desporto para recuperar a autoconfiança. 

O copiloto da Germanwings sofria ainda de um transtorno psicossomático, como parecem indicar os documento e os medicamentos encontrados pela polícia alemã no seu apartamento e na casa dos seus pais. Andreas Lubitz terá sido medicado também com Agomelatina (um antidepressivo) para tratar problemas de sono.  

Recorde-se que, esta sexta-feira, depois das buscas realizadas às propriedades ligadas ao copiloto, os procuradores alemães afirmaram que o copiloto escondeu da entidade patronal que devia estar de baixa no dia do acidente. As autoridades encontraram o documento médico rasgado.

«Há documentos médicos que indicam que ele não estava apto para trabalhar, entre outras coisas. Os documentos são recentes, mesmo do dia do crime, apoiando a conclusão preliminar de que sofria de uma doença e que a escondeu da empresa e dos seus colegas profissionais.»

Já o diário «Bild», que teve acesso a um documento com os dados médicos do copiloto, afirma que Lubitz estava a receber tratamento psiquiátrico. Uma informação confirmada por um dos primos, que terá afirmado que o alemão sofria de «uma depressão profunda».  

Mais, o mesmo jornal afirma que a relação amorosa de Lubitz enfrentava uma crise, muito próxima da rutura. O copiloto e a namorada, juntos há sete anos, estavam noivos, com casamento marcado para o próximo ano. Este domingo, o mesmo jornal noticiou que a namorada de Andreas Lubitz estaria grávida. A professora de inglês e matemática, cuja identidade é desconhecida, terá dado a notícia aos seus alunos nas últimas semanas.  

Ainda segundo uma ex-namorada do copiloto, este planeava um «evento inesquecível» que lhe permitiriam «ficar na história».  

Estas informações surgiram horas depois de ter sido noticiado que  o copiloto terá sofrido de depressão e que um esgotamento nervoso, em 2009, terá estado na origem da interrupção da formação na escola da Lufhtansa. A interrupção foi confirmada pelo diretor da companhia aérea, mas este não justificou o motivo para a pausa.  

A análise da gravação dos sons do cockpit do avião da Germanwings que se despenhou nos Alpes franceses na terça-feira concluiu que o piloto se ausentou do cockpit, provavelmente para usar a casa de banho, e foi impedido de voltar a entrar pelo copiloto, que bloqueou a porta. 

Nesse período, o copiloto acionou deliberadamente o processo de descida do avião, ignorando as pancadas na porta, as tentativas de comunicação da torre de controlo e os alarmes do próprio aparelho. O avião acabou por embater numa montanha, matando todas os 144 passageiros e seis tripulantes a bordo. 

As autoridades francesas, responsáveis pelas investigações ao acidente aéreo nos Alpes,  acreditam que já encontraram restos mortais do copiloto, Andreas Lubitz.