A eurodeputada Ana Gomes, que integra a delegação europeia que está na Ucrânia, disse este domingo que os partidos políticos ucranianos estão confiantes em formar, o mais rapidamente possível, um Governo de unidade nacional.

«As forças políticas no parlamento estão ativamente a formar um governo alargado, de salvação nacional», disse à agência Lusa a eurodeputada socialista, contactada a partir de Lisboa.

A delegação do Parlamento Europeu manteve este domingo reuniões, no parlamento da Ucrânia, com todos os partidos políticos e com os ativistas que estão há várias semanas na Praça da Independência, em Kiev.

Ana Gomes adiantou que os partidos políticos estão confiantes em «ter rapidamente um Governo e iniciar contactos, quer com a União Europeia, quer com a Rússia, que são parceiros indispensáveis da Ucrânia».

A eurodeputada disse também que todos os partidos estão convencidos que a situação na Ucrânia vai mudar, tendo a delegação do Parlamento notado «um sentimento muito positivo e animado».

Ana Gomes afirmou que a missão europeia também esteve reunida com o grupo parlamentar do Partido das Regiões, formação do deposto Presidente ucraniano Viktor Ianukovich, que reconheceu «os erros e os crimes» cometidos no passado, querendo retomar o partido.

Segundo Ana Gomes, 80 membros já saíram do partido e outras estão a ser alvo de retaliações por parte da população, mas aqueles que ficaram estão a trabalhar conjuntamente com os outros partidos para formar o governo de salvação nacional.

A socialista afirmou igualmente que os ativistas estão «realmente empenhados» na existência de um «novo tipo de políticos», continuando «muito empenhados em participar e controlar a vida política do país».

«Todos têm noção dos terríveis riscos e dos grandes desafios que se colocam e sabem, como facilmente atos provocatórios ou excessos de franjas radicais, podem perturbar o curso dos acontecimentos, mas estão otimistas que podem vencer esses riscos», sustentou.

Dos contactos com a população, a eurodeputada sublinhou que os ucranianos «não querer voltar a uma política como no passado», nem querem que a líder da oposição Iulia Timochenko, libertada no sábado, seja alternativa a Ianukovich.

Segundo Ana Gomes, milhares de cidadãos passeavam este domingo nas ruas de Kiev, com crianças, o que já não acontecia há muito tempo.

«Os cidadãos livremente e calmamente estão na rua. No momento em que não há governo, há, no entanto maior calma», acrescentou.

A delegação do Parlamento Europeu regressa a Estrasburgo na segunda-feira à tarde.

Um novo governo de unidade nacional deve ser formado até terça-feira, na Ucrânia, depois do presidente Viktor Ianukovych ter sido destituído, no sábado, pelo parlamento.

O parlamento ucraniano designou hoje como Presidente interino Olexandre Turchinov, braço-direito de Iulia Timochenko e desde sábado presidente do parlamento.

A crise política na Ucrânia iniciou-se há três meses, depois de Ianukovich suspender os preparativos para um acordo com a União Europeia, e agravou-se em finais de janeiro, quando se registaram as primeiras mortes, com a aprovação de leis limitando a liberdade de manifestação.

O balanço oficial da violência dos últimos dias é de cerca de 80 mortos, embora a oposição fale em mais de 100.