A eurodeputada Ana Gomes (PS) disse esta terça-feira, em Estrasburgo, que a Ucrânia entrou numa nova era, apelando ao apoio da União Europeia (UE) ao povo ucraniano.

«Começou uma nova era, mas ainda com muitas ameaças, sendo preciso apoiar o povo ucraniano», disse a deputada, numa conferência de imprensa, em Estrasburgo, de balanço da visita de uma delegação do Parlamento Europeu a Kiev de sexta a segunda-feira, que Ana Gomes integrou.

«Cheguei na sexta-feira e Viktor Ianukovich ainda era Presidente e no sábado de manhã já tinha partido», salientou, acrescentando que «é verdadeiramente impressionante a força que demonstrou o povo da Ucrânia - no sábado de manhã e em todo o fim de semana não se viu um único carro da polícia em Kiev».

As novas autoridades têm que ter muito cuidado e não insuflar ações provocatórias, que causem medo às etnias russas, acrescentou Ana Gomes, opinando que o Presidente russo, Vladimir Putin, «não contava com o povo ucraniano».

O aliado tradicional de Ianukovich «está em estado de choque», disse a eurodeputada, que considerou que Moscovo aceitará a solução governativa que a Ucrânia encontrar.

A eurodeputada sublinhou ainda que, dos contactos que manteve, percebeu que os ucranianos «não querer voltar a uma política como no passado», nem querem que a líder da oposição Iulia Timochenko, libertada no sábado, seja alternativa a Ianukovich.

«Estava presente quando Timochenko falou e nem todas as pessoas reagiram positivamente, muitos diziam que não queriam voltar à política de antigamente», sublinhou.

«A praça Maidan criou uma nova liderança no país», considerou.

O chefe da delegação, o deputado conservador alemão Omar Brock, disse, por seu lado, esperar «que sejam disponibilizadas verbas, num pacote de ajuda a curto prazo, para evitar a falência do país».

Para já, todos os olhos estão postos no dia 25 de maio, data em que estão marcadas eleições gerais na Ucrânia, adiantou.

Brock apelou a uma ajuda urgente de curto prazo da UE, para evitar a falência do país, esperando-se que o novo Governo prossiga as discussões de um pacote financeiro, envolvendo o Fundo Monetário Internacional, de 15 mil milhões de euros.

A crise política na Ucrânia iniciou-se há três meses, depois de o Presidente Viktor Ianukovich suspender os preparativos para um acordo com a União Europeia, e agravou-se em finais de janeiro, quando se registaram as primeiras mortes, com a aprovação de leis limitando a liberdade de manifestação.

O balanço oficial da violência dos últimos dias é de cerca de 80 mortos, embora a oposição fale em mais de 100.

Ianukovich foi destituído no sábado pelo Parlamento ucraniano e Olexandre Tourtchinov, apoiante de Timochenko, é o Presidente interino da Ucrânia.