A melhoria da qualidade do ar esperada na Europa será insuficiente para impedir efeitos negativos na saúde e Portugal deve apostar na redução das emissões dos automóveis e na eficiência energética, defendeu hoje um especialista da Agência Europeia do Ambiente.

O relatório «O Ambiente na Europa – Estado e Perspetivas 2015», elaborado pela Agência Europeia do Ambiente (EEA na sigla em inglês) hoje divulgado, salienta que «os melhoramentos na qualidade do ar esperados não deverão ser suficientes para impedir efeitos negativos [na saúde], enquanto os impactos resultantes das alterações climáticas deverão piorar».

Com a atual legislação, «é esperada a continuação de melhorias nos níveis de poluição do ar, mas só até 2030, depois o progresso deverá abrandar», refere a EEA.

Martin Adams, da EEA disse à agência Lusa serem necessárias novas medidas e metas para a União Europeia (UE) e para cada país, defendendo que serão indispensáveis investimentos, mas o custo dos efeitos da poluição é mais elevado.

«Portugal tem os mesmos problemas e desafios sobre a poluição do ar que outros países, como do tráfego rodoviário nas cidades, do ozono, no verão, e partilha com outros do sul da Europa as poeiras vindas do norte de África», nos meses mais quentes, que trazem partículas finas, referiu Martin Adams.


Outro especialista da EEA neste assunto, Valentin Foltescu, explicou à Lusa que Portugal «tem sorte pela sua localização geográfica que lhe permite ter menos problemas com a acumulação de poluentes do ar», como acontece em países do centro da Europa.

«Aumentar a eficiência energética é uma medida importante, tal como o desenvolvimento de energias renováveis e a redução das emissões dos automóveis», o que também contribuiu para combater as alterações climáticas, acrescentou Valentin Foltescu.

«A poluição do ar e do ruído continuam a ter sérios impactos nas zonas urbanas e, em 2011, cerca de 430 mil mortes prematuras eram atribuídas às partículas finas, enquanto a exposição ao ruído contribuía para, pelo menos, 10 mil mortes prematuras devido a problemas cardíacos, por ano», salienta o relatório.

«Uma parte significativa da população urbana europeia continua exposta a níveis prejudiciais de poluição atmosférica», situação que se evidencia mais quando são tidas em conta as regras da Organização Mundial de Saúde, mais exigentes que a UE.

Os transportes continuam a ser os maiores responsáveis pela fraca qualidade do ar nas cidades, tal como pelo ruído, mas indústria, centrais elétricas, agricultura e setor doméstico também são responsáveis pela poluição na Europa.

Aliás, «a poluição atmosférica continua a contribuir para grande parte do fardo do cancro do pulmão e das doenças respiratórias na Europa», refere a EEA.

As alterações climáticas podem resultar em mais problemas relacionados com a água e com a saúde, não só pela sua escassez, mas também pela possibilidade do aumento das concentrações de contaminantes biológicos e químicos.

O custo associado à poluição do ar representa, pelo menos, 330 mil milhões de euros relacionados com a mortalidade, segundo estimativas de 2010 da EEA, que apontam ainda para 15 mil milhões de euros devido a ausências no trabalho, e quatro mil milhões por gastos em cuidados médicos.