O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem, disse hoje que a forma como a Birmânia está a tratar a minoria muçulmana rohingya aparenta “um exemplo clássico de limpeza étnica”.

A Birmânia tem recusado o acesso dos inspetores (da ONU) especializados em direitos humanos. A avaliação atualizada da situação não pode ser integralmente realizada, mas a situação parece ser um exemplo clássico de limpeza étnica”, disse Zeid Ra’ad Al Hussein na abertura da 36.ª sessão do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas, em Genebra.

Mais de um milhão de rohingyas vivem em Rakhine, Birmânia, onde sofrem crescente discriminação desde o início da violência sectária em 2012.

A ONU estima que mais de um milhar de pessoas, maioritariamente desta minoria, podem ter morrido devido à violência no estado de Rakhine, na Birmânia.

Pode haver mais de um milhar de pessoas que foram mortas. Há dos dois lados, mas as vítimas concentram-se largamente na população rohingya”, segundo  balanço, em jeito de alerta, foi feito, no início de agosto, pela enviada especial da ONU no país, Yanghee Lee, avançando uma estimativa duas vezes superior à do Governo birmanês.

Milhares de pessoas da minoria muçulmana rohingya têm estado a tentar fugir do país para o Bangladesh. No entanto, e apesar do apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, no sentido de se acolher estas pessoas em fuga, as autoridades do Bangladesh estão a fazer de tudo para evitar mais entradas no país.