Cientistas do Instituto do Coração St. Luke’s Mid e do Centro Médico Montefiore, nos Estados Unidos, descobriram que o açúcar faz pior do que o sal à pressão arterial. Os resultados do estudo foram publicados no jornal online Open Heart e os especialistas afirmam que as pessoas precisam de cortar no açúcar e sugerem que os benefícios de redução dos níveis do sal são «discutíveis».
 

«O açúcar pode estar relacionado mais diretamente com a pressão arterial do que o sódio», afirmam os autores do estudo, que analisaram uma seleção de resultados de experiências científicas, estudos animais e pesquisas humanas.

 
O estudo afirma que as pessoas que ingerem açúcar diariamente, aumentam a quantidade de calorias consumidas até um quarto do total, e amplificam o risco de doenças cardiovasculares três vezes mais do que aqueles que consomem menos de 10%.
 
Após analisarem os resultados do estudo, os cientistas concluem que o açúcar influencia mais a pressão arterial do que o sal. Além disso, afirmam que baixar o consumo do sal até pode fazer pior, pois poderá levar as pessoas a comerem mais.
 
Quanto ao açúcar, é dado ênfase à frutose, muitas vezes encontrada em alimentos processados e bebidas açucaradas. Apesar de a frutose também estar presente na fruta e nos vegetais, os cientistas avisam que nesses casos não há razão para preocupações.
 
No entanto, outros cientistas alegam que os resultados são falsos e cientificamente desnecessários, dizendo que é necessário reduzir quer o açúcar quer o sal.
 

«A ênfase na redução do açúcar, e não no sal, é falsa. Ambos devem ser reduzidos para uma abordagem eficaz para a prevenção cardiovascular. O desvio da atenção dada ao sal para o açúcar é cientificamente desnecessário», explicou o professor Francessco Cappuccio, da Universidade de Warwick, à BBC.

 
«A redução de consumo de sal e a perda de peso reduzem a pressão arterial, mas as evidências de um efeito direto do açúcar é ténue. O consumo do sal caiu no Reino Unido, pois os fabricantes reduziram a quantidade de sal adicionadas aos alimentos. Isso foi acompanhado por uma queda na pressão arterial», afirmou o professor Tom Saunders, do King's College, em Londres.
 

«A ingestão de açúcar é proveniente principalmente de bebidas açucaradas, doces e produtos de cereais, como bolos e biscoitos. A maneira mais fácil de reduzir a ingestão de açúcar é limitar as bebidas açucaradas e o consumo de produtos de confeitaria», acrescentou Saunders.

 
Dados de um estudo feito em Inglaterra, denominado «Dieta e Nutrição Nacional», sugerem que a maioria dos adultos e das crianças comem mais açúcar do que o recomendado.
 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o açúcar seja apenas 10% do total de energia consumida por dia, o que significa que um adulto deverá consumir, no máximo, 50 gramas de açúcar. Mas a OMS reconheceu, recentemente, que reduzir para 5% teria benefícios adicionais.