A morte do espião russo, Alexander Litvinenko, em 2006, terá sido, "provavelmente aprovada" por Vladimir Putin. O espião não teve dúvidas em acusar o presidente russo do seu envenenamento, como recordou a viúva. A Rússia contesta o relatório. 

As conclusões de um inquérito conduzido pelos britânicos e divulgadas esta quinta-feira, revela que a morte do ex-agente dos serviços secretos russos terá sido ordenada pelo diretor dos serviços secretos de então, Nikolai Patrushev,  e aprovada pelo presidente russo.
 

“Tomando em consideração todas as provas e a sua análise, concluo que a operação do FSB [novo nome dos serviços secretos russos, ex-KGB] para matar o senhor Litvinenko foi provavelmente aprovada pelo senhor Patrushev e pelo presidente Putin”, refere o juiz Robert Owen, que redigiu o relatório de 328 páginas sobre a morte de Alexander Litvinenko.
 

Alexander Litvinenko morreu aos 43 anos, em Londres, 22 dias após ter tomado, ao que se sabe, uma chávena de chá com polónio radioativo.
 
A autópsia já havia confirmado que o antigo espião do KGB tinha sido envenenado, a confirmação do crime chega aparentemente agora, alegadamente ordenada pelo homem forte da Rússia. 
 
À saída do Supremo Tribunal de Londres, no Reino Unido, a viúva mostrou-se satisfeita com as conclusões:
 

“As palavras que o meu marido disse no leito da morte, acusando o senhor Putin, foram confirmadas pelo tribunal britânico”, disse Marina Litvinenko esta quinta-feira, à porta do tribunal , de acordo com a BBC.

Marina Litvinenko à porta do Supremo Tribunal de Londres (Foto Reuters)

 


“Senhor Putin, pode conseguir calar um homem, mas o grito de protesto do mundo vai ecoar nos seus ouvidos para o resto da sua vida”, terão sido estas as palavras de  Alexander Litvinenko. 

 
E a viúva deixou, desde logo, um repto ao governo britânico, para que expulse todos os agentes secretos russos no país e imponha sanções económicas à Rússia.

Marina Litvinenko e o filho vivem no reino Unido desde 2000 e receberam cidadania britânica pouco antes da morte do ex-espião e crítico do Kremlin. 
 

As reações ao relatório


A Rússia contestou este relatório. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, fez saber que o Kremlin considera este relatório “politicamente tendencioso” e a investigação “politizada”.
 
O Kremlin entende que o processo foi conduzido de “forma pouco transparente para com a Rússia e a sociedade, já que as provas foram examinadas ‘à porta fechada’, sob pretexto de que estavam sob segredo”, como cita a Reuters. 

Na sequência das conclusões do relatório, um porta-voz de David Cameron anunciou que o primeiro-ministro está a ponderar que medidas serão tomadas face à forte probabilidade do presidente russo ter ordenado o assassinato de ex-espião.
 
“A conclusão de que o homicídio foi autorizado pelas figuras mais altas do Estado russo é extremamente perturbadora”, acrescentando que esta “não é forma de um Estado, membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, agir”, segundo cita a Reuters. 


Dmitri V. Kovtun e Andrei K. Lugovoi (Foto Reuters)



Um dos suspeitos do homicídio, Dmitri V. Kovtun, agora deputado no Kremlin, já reagiu, considerando as conclusões do relatório “absurdas”, em declarações à agência Interfax, citada pelo New York Times
 
Dmitri V. Kovtun e Andrei K. Lugovoi,  então agentes secretos russos, são os suspeitos do homicídio. Estes dois homens ter-se-ão encontrado com Alexander Litvinenko no bar do hotel Millennium, em Londres, semanas antes da morte do ex-espião, onde se presume que Litvinenko terá ingerido o veneno. Alexander Litvinenko morreu a 23 de novembro de 2006, depois de 22 dias internado.