O Tribunal Federal Administrativo, localizado na cidade de Leipzig, decidiu que as cidades alemãs vão poder restringir e banir a circulação de automóveis a gasóleo nas suas ruas.

A decisão, cujos pormenores ainda não foram revelados, pode ter aplicação próxima nas cidades de Dusseldorf e Estugarda, duas das que registam elevados níveis de poluição.

A sentença do tribunal pode, contudo, dar luz verde a outras cidades alemãs para imporem restrições no tráfego automóvel, especialmente limitando a circulação de carros a diesel, segundo assinala o jornal britânico The Guardian.

Até ao momento, ambientalistas alemães apresentaram queixas contra dezenas de cidades alemãs, considerando que os municípios têm responsabilidades na qualidade do ar, de forma  a proteger a saúde das populações.

Cerca de 70 cidades alemãs, incluindo Munique e Colónia, registaram níveis de dióxido de azoto acima dos limites indicativos da União Europeia, de acordo com informações da Agência Federal do Ambiente alemã.

Negócio a andar para trás

A aprovação pelo tribunal do poder dos municípios para restringir a circulaçao automóvel nas cidades está agora, mais do que nunca, a preocupar os grandes fabricantes alemães, cujo peso económico no país e na Europa é imenso.

Da parte dos fabricantes, espera-se ainda um recurso sobre a decisão tomada pelo tribunal de Leipzig.

A indústria automóvel, tal como o governo alemão, receiam que a banição de carros a diesel das cidades, especialmente os mais antigos, provoque uma quebra de preços e um desinteresse por parte dos condutores.

Ainda a contas com as consequências do chamado dieselgate, em que a Volkswagen foi condenada por falsear os valores das emissões poluentes dos seus carros, a indústria automóvel alemã viu cair as vendas de veículos a diesel, de 48% em 2015 para 39%, no ano passado.