A Procuradoria Federal Alemã abriu nova investigação contra os serviços secretos do país depois da publicação de que eles cooperaram com a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) para espionagem de empresas e de políticos em território alemão.

O novo processo foi revelado pelo vice-presidente da comissão parlamentar que investiga o escândalo da espionagem americana na Alemanha, Patrick Sensburg, em entrevista à emissora pública "ARD". O político democrata-cristão explicou, além disso, que a procuradoria solicitou as atas das sessões da comissão de investigação do parlamento federal (Bundestag), que colaborará com a Justiça.

"Certamente forneceremos (as atas), já que temos o mesmo interesse em esclarecer esse assunto", afirmou Sensburg.


A edição digital da revista "Der Spiegel" publicou na quinta-feira que o "Bundesnachrichtendienst" (BND), o serviço secreto alemão para o exterior, espiou políticos e empresas dentro da Alemanha, e passou essas informações à NSA, a mesma agência envolvida no caso de espionagem à escala global que envolveu a própria chanceler alemã, Angela Merkel, além de políticos de outros países, como a Presidente do Brasil Dilma Rousseff.

De acordo com a "Der Spiegel", entre as empresas espiadas estão o consórcio aeroespacial e militar Airbus. Já o jornal popular "Bild" acrescenta, esta sexta-feira, que o BND revelou à NSA "centenas de milhares de dados de empresas e organizações na Europa, enviando regularmente resultados" desse trabalho aos colegas norte-americanos.

A comissão de investigação sobre o escândalo da NSA no Bundestag constatou que recentemente a agência norte-americana pediu ao BND cerca de 40 mil dados (números de telefone, IP de computadores, contas de e-mail, entre outros) que não tinham nenhuma relação com o terrorismo, âmbito estrito de cooperação entre os dois órgãos. Por causa dessa revelação, o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, disse que há "défices técnicos e organizacionais no BND" que precisam de «ser sanados».

A oposição alemã e várias organizações de defesa da privacidade criticaram o governo e o serviço secreto por mais uma crise, que se soma a todas as revelações sobre a inteligência alemã reveladas através dos documentos divulgados pelo ex-analista da CIA Edward Snowden.