A extrema-direita alemã escolheu este sábado uma dupla dirigente da ala nacionalista e decidiu capitalizar com os contratempos da chanceler Angela Merkel para formar governo, num congresso marcado por várias manifestações de opositores, que tentaram bloquear o acesso ao local onde a AfD realizou o congresso.

Reunidos em Hannover, no norte da Alemanha, os 600 delegados da Alternativa para a Alemanha (AfD) reconduziram Jörg Meuthen, de 56 anos - o único líder desde a saída pela porta pequena da anterior figura de proa, Frauke Petry – e juntaram-lhe Alexander Gauland, de 76 anos, líder do grupo parlamentar.

Autor de afirmações controversas sobre o Islão e a recusa de “arrependimento” alemão pelos crimes nazis, Gauland candidatou-se à última hora, no momento de decidir entre outros dois candidatos que de imediato abandonaram a corrida.

Não é o que eu pretendia, mas o destino decidiu de outra forma e os meus amigos convenceram-me a concorrer”, comentou.

Esta dupla escolha confirma a “direitização” do partido, mas nem Jörg Meuthen, com 72% dos votos, nem Gauland, com 68%, reconciliaram totalmente radicais e conservadores moderados, embora nenhum deles tenha tido qualquer opositor declarado.

O objetivo de ambos é agora “perseguir” Angela Merkel, como prometeu Gauland, numa altura em que a chanceler, após 12 anos na liderança do país, tenta desesperadamente obter uma maioria governamental numa paisagem política fragmentada.

A AfD conseguiu nas legislativas de 24 de setembro entrar na Câmara dos Deputados, com 12,6% dos votos, correspondentes a 92 assentos parlamentares – um feito inédito para uma formação deste tipo desde a Segunda Guerra Mundial.