Há «mais desespero do que nunca» entre os refugiados do campo de Yarmouk, na periferia de Damasco, capital da Síria. O alerta é da Organização das Nações Unidas, que exige acesso ao local para prestar assistência aos cerca de 18 mil palestinianos presos no campo de refugiados - entre eles, 3.500 crianças - que se encontram espalhados por uma área de dois quilómetros quadrados.

«A situação está virada do avesso. Atualmente, é demasiado perigoso aceder a Yarmouk», admitiu o comissário-geral da Agência das Nações Unidas oara Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA ), Pierre Krähenbühl, que falava a partir da sede da ONU, em Nova York, numa mensagem de vídeo relatada no site da organização.

«Neste momento, o que está na mente das pessoas em Yarmouk é mera sobrevivência». Há várias semanas, de visita ao campo, «vi as pessoas a acordar com tanto desespero nos seus olhos, à espera de uma ajuda insignificante»


O comissário retrata «um sofrimento insuportável», com os civis a fazerem fila indiana para receber ajuda, pessoas idosas cheias de fome, uma mulher grávida que desmaiou enquanto esperava, recorda. Faltam bens essenciais. Até água. 

Krähenbühl informou o Secretário-Geral e do Conselho de Segurança sobre a situação que se vive em Yarmouk, controlado por grupos radicais armados. Daí estar a ser muito complicado a ajuda humanitária conseguir entrar. O comissário pediu aos organismos internacionais que continuem atentos à situação de emergência e exigiu que as partes em combate cessem todas as atividades que colocam em perigo os civis e que, claro, deixem que a ajuda humanitária chegue a quem precisa. 

Há mais de dois anos que aquela zona funciona como campo de refugiados. Desde 1 de abril, tem sido palco de intensos combates e torna-se impossível para os civis sair. Qualquer passo em falso é de alto risco.

«Em algumas áreas, a interrupção de operações humanitárias deixou milhares de pessoas sem auxílio durante meses»


É o que admite a ONU no seu próprio site, advertindo que a situação está cada vez pior e exige uma resposta humana e política por parte da comunidade internacional. Quer, por isso, uma ação concertada para acabar com o flagelo e influenciar os líderes políticos e religiosos nesse sentido.

«O respeito pela vida não é apenas um elemento de direito internacional, mas também um princípio fundamental. Os líderes devem exercer o seu poder de influenciar todas as partes a cessarem as hostilidades e alcançarem uma trégua humanitária»


Respondendo a uma pergunta sobre que percentagem do campo é controlada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), o comissário da ONU disse que é difícil ter números ao certo. Mas é «seguro dizer» que uma percentagem significativa de civis está agora na área controlada por grupos armados.