Uma antiga empregada doméstica indonésia contou esta segunda-feira em tribunal, pela primeira vez, como foi obrigada a passar fome, agredida e humilhada pelos seus patrões, em Hong Kong, num caso que motivou indignação internacional.
 
Erwiana Sulistyaningsih descreveu como, durante meses, se alimentou apenas de pão e arroz, dormiu quatro horas por dia e foi regularmente agredida pela sua antiga empregadora, Law Wan-tung.
 
«Fui torturada», disse em tribunal a jovem de 23 anos, com a ajuda de um tradutor.
 
No discurso de abertura, a advogada de defesa Louisa Lai Ngan-man recapitulou como a empregadora infligiu as «mais impressionantes» lesões na empregada doméstica, uma vez atingindo-a com «algo duro» na parte de trás da cabeça com tal ferocidade que Erwiana ficou inconsciente e outra que colocou um tubo de aspirador na boca da empregada e torceu-o, causando ferimentos nos lábios.
 
Louisa também contou ao tribunal que Law utilizou vários objetos - incluindo uma vara, uma régua e um gancho - para bater em Erwiana. A advogada disse que os exames médicos demonstraram que a empregada sofreu vários ataques, incluindo hematomas no nariz e na cabeça e dois dentes partidos.
 
Erwiana contou que os abusos começaram depois de não lhe ter sido pago o primeiro salário. Os esforços para reportar ao seu agente, de que não tinha sido paga, não serviram de nada e teve de voltar para o apartamento de Law.
 
«Law ameaçou matar os meus pais se eu contasse que era torturada», disse Erwiana no tribunal, acrescentando que não recebia salário nem tinha direito a férias. Além disso o passaporte da empregada doméstica foi confiscado e Erwiana não tinha autorização para contactar ninguém.
 
«Estava tão fraca que não conseguia andar», contou Erwiana, sobre a época que Law a tentou mandar de volta para a Indonésia, em Janeiro.
 
Law manteve a sua alegação de inocência pelas 10 acusações, incluindo torturar Erwiana e outros dois ajudantes indonésios, Tutik Lestari Ningsih e Nurhasanah. Também se declarou inocente das 10 acusações de não pagar os salários nem conceder férias e apenas se declarou culpada no facto de não ter dado seguro de saúde a Erwiana.
 
Foram estipulados 20 dias para o julgamento, que colocou as condições para empregados domésticos estrangeiros sob os holofotes internacionais.