O parlamento sul-africano reprovou uma moção de censura apresentada pela oposição, que poderia levar à destituição do presidente da África do Sul, caso fosse aprovada. No final da votação, 177 deputados votaram contra Jacob Zuma, que ainda assim conseguiu o apoio de 198 parlamentares, cerca de 80% dos 249 que ocupam a bancada do Congresso Nacional Africano, o histórico ANC a que também preside. Houve nove abstenções.

Quero-vos agradecer muito. Uma vez mais, provámos que o ANC é a organização do povo", exclamou Jacob Zuma perante apoiantes que o ouviram na Cidade do Cabo.

No parlamento, a moção de censura foi apresentada pela maior força da oposição, a Aliança Democrática, liderada por Mmusi Maimane, que exigiu a votação secreta, enquanto tentou convencer deputados do ANC a rejeitarem o seu líder e presidente do país, suspeito de vários casos de corrupção.

A escolha é simples. Ou permitimos que uma família, ajudada e abençoada pelo presidente fique com tudo o que é nosso ou, em nome do povo da África do Sul, tomamos o nosso país de volta", afirmou Mmusi Maimane, antes da votação.

Em torno das várias suspeitas de corrupção contra o presidente Jacob Zuma estão as relações com a família Gupta, de origens indianas e com vastos negócios na África do Sul.

Jacob Zuma tem 75 anos. É polígamo, conhecem-se-lhe seis mulheres e admite-se que tenha, pelo menos, 20 filhos. Em 2005, chegou a ser acusado de violação, mas foi absolvido.

Eleito presidente sul-africano em 2009, cumpre o seu segundo mandato de cinco anos. Sucedeu a Thabo Mbeki, que substituíra o histórico Nelson Mandela, chefe de Estado da África do Sul após as primeiras eleições livres em 1994, maioritariamente ganhas pelo ANC, tal como todas as posteriores legislativas.

No ano passado, o Tribunal Constitucional sul-africano ordenou a Zuma que devolvesse largos milhões de dólares de fundos públicos alegadamente gastos na renovação de uma sua herdade privada. Algo que o presidente negou, tal como tem negado todas as muitas acusações de corrupção.