“Vamos enterrar” o Estado Islâmico. O presidente afegão, Ashraf Ghani, deixou a promessa, esta segunda-feira, numa entrevista à televisão britânica BBC.

“Os afegãos estão agora motivados pela vingança. Eles [Estado Islâmico] meteram-se com as pessoas erradas”, disse.


Presente no Fórum Económico e Mundial, em Davos, na Suíça, o presidente afegão falou com a BBC sobre o Estado Islâmico e os talibãs, à margem do encontro.

O Afeganistão vive num limbo, entre as forças do Estado que lutam contra os rebeldes e os rebeldes que lutam entre si: talibãs contra jihadistas. Se, por um lado, os Estados Unidos informaram que foi criada uma fação do Estado Islâmico no Afeganistão, composta por antigos talibãs afegãos e paquistaneses, os Talibãs anunciaram a criação de uma força só para combater o Estado Islâmico.

As forças militares afegãs desdobram-se a combater estes dois grupos terroristas, mas, Ashraf Ghani, lembrou que esta guerra não é só do seu país.

O Estado Islâmico “não é um fenómeno afegão”, disse, para explicar que “muito do [seu] trabalho tem sido feito no sentido de criar consensos regionais”, nomeadamente com o vizinho Paquistão. A guerra no Afeganistão “é só uma parcela” de um conflito maior que envolve também o Paquistão, entendendo que o país vizinho deve usar a força contra os grupos talibãs que não aceitaram sentar-se à mesa das negociações.

“Os problemas estão interligados e não podem ser resolvidos só com o uso da força num país”, frisou, deixando um apelo ao Paquistão. “Precisamos de avaliar os nossos interesses comuns e precisamos de agir em conjunto para preservar o Estado e consolidá-lo”, concretizou.

Ashraf Ghani receia que os conflitos se intensifiquem ainda mais e, por isso, as conversações com os grupos rebeldes devem decorrer impreterivelmente nos tempos mais próximos: “O tempo não está do nosso lado”, pelo que “todos sabemos que fevereiro e março são meses cruciais”.
 

Fugir não é a solução


Com um país a ferro e fogo, muitos afegãos encontram na fuga a única solução para garantir a sua segurança e a da sua família, mas, Ashraf Ghani deixou um aviso aos seus nacionais:

“ O que eu lhes digo é que não há futuro na Europa. A Europa está a fechar as fronteiras”, recordando a entrevista dada pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls, ali mesmo, em Davos, sobre a incapacidade da Europa receber todos os migrantes.