Investigadores brasileiros dizem ter encontrado novas provas de que os crescentes casos de microcefalia estão ligados ao vírus Zika, avança a agência Reuters. Casos de bebés com cabeças mais pequenas do que o habitual têm-se espalhado pela América Latina, sudoeste asiático, África e ilhas dos Pacífico. O ministro da saúde brasileiro reportou que em janeiro de 2016 nasceram mais 363 crianças com microcefalia que no mesmo mês de 2015.

Foram reportadas também mais 49 mortes em bebés com deformações ao nascimento que ainda estão a ser investigadas, para se apurar se estão relacionadas com o Zika.

O vírus Zika é transmitido pela picada do Aedes aegypti, o mesmo mosquito que transporta a Dengue, a Febre-Amarela e o vírus Chikungunya. As autoridades no Brasil já identificaram, até aqui, seis casos em que o bebé nasceu com microcefalia por estar infetado com o vírus Zika.

O centro biomédico de Fiocruz, em Curitiba, no Brasil, revelou na terça-feira que encontrou o vírus Zika na placenta de uma mulher que sofreu um aborto espontâneo. O que significa que o vírus, apesar de ser transmitido pela picada na pele, consegue chegar ao útero e por isso ao feto.

Uma especialista em imunologia da Universidade de São Paulo, Jean Peron, está a realizar experiências com o vírus Zika em ratos prenhes e afirma que “Este é um avanço significativo mas não podemos ainda afirmar cientificamente que o Zika é a causa da microcefalia”.


Este vírus foi detetado em África em 1947, mas só no ano passado chegou à América Latina. O brasil é o país mais afetado até aqui, seguindo-se a Colômbia. Na semana passada as autoridades norte-americanas revelaram a morte de um bebé, no Havai, portador de microcefalia, em que a mãe tinha sido infetada pelo vírus Zika.

Apenas uma em cada 5 pessoas infetadas com o vírus fica doente. Os infetados podem sentir febre, erupções cutâneas, dor nas articulações e conjuntivite. Os sintomas podem durar até uma semana.

O centro de controlo e prevenção de doenças norte-americano já emitiu um guia de prevenção para quem vai viajar, sobretudo para mulheres grávidas. As recomendações incluem usar repelente de insetos, usar calças e camisolas de manga comprida e preferir locais com ar condicionado. 

A Direção Geral de Saúde portuguesa recomenda alguma atenção, uma vez que os países mais afetados são os destinos de férias favoritos dos portugueses. Em Portugal já foram detetados quatro casos com o vírus Zika mas nenhum em mulheres grávidas. Francisco Jorge, da Direção Geral de Saúde, aconselha todas as grávidas que estiveram nestes países a consultar o seu médico e a referir a viagem.