António Guterres vai deixar a agência da ONU para os refugiados (ACNUR) no final do ano, avança a Reuters nesta sexta-feira, citando uma porta-voz da ACNUR.

"Ele vai embora. O contrato termina no final de dezembro e ele não vai renovar", disse Melissa Fleming à agência de notícias.

Em fevereiro, a assembleia-geral da ONU prolongou o mandato, que terminava em junho, do ex-chefe do Governo português até final deste ano, devido à crise de refugiados em várias zonas do mundo.

Guterres foi eleito para o cargo em junho de 2005 e reeleito cinco anos depois para um segundo mandato.

Agora, e depois de o seu mandato ter sido prolongado até ao final de 2015, uma porta-voz da ACNUR confirmou à Reuters que o ex-líder do Partido Socialista não tenciona renovar o mandato.

Esta sexta-feira, o alto comissário das Nações Unidas para os refugiados tinha apelado à distribuição de pelo menos 200.000 refugiados pela Europa, defendendo que todos os estados-membros deviam ter a obrigação de participar neste programa. 

Entretanto, a ex-primeira-ministra dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt apresentou hoje a candidatura à sucessão de António Guterres.

A candidatura foi apresentada em Copenhaga, numa conferência de imprensa conjunta de Thorning-Schmidt com o atual primeiro-ministro dinamarquês, o liberal Lars Lokke Rasmussen, no cargo desde junho, na sequência das legislativas.

Thorning-Schmidt, de 48 anos, dirigiu o executivo dinamarquês entre 2011 e 2015, e liderou o Partido Social-Democrata durante uma década, posto que abandonou na noite da derrota eleitoral.

No outono passado, o Governo de centro-esquerda que Thorning-Schmidt liderava foi criticado pelo Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) depois de ter aprovado uma reforma das leis de concessão de asilo, que dificulta o reagrupamento familiar e concede autorizações de residência temporárias, de um ano, aos refugiados.