Um novo livro sobre Muamar Khadafi faz revelações bombásticas sobre a forma como o antigo ditador líbio satisfazia os seus mais secretos desejos sexuais. A jornalista do «Le Monde», Annick Cojean, conta como Khadafi raptava e violava jovens para se satisfazer sexualmente.

Para fazer estas revelações, Annick Cojean dá voz a Soraya, uma menina levada para o harém de Khadafi quando tinha apenas 15 anos. Nessa altura, ela foi «escolhida» pelo antigo ditador durante uma visita que fez à escola onde a jovem estudava: quando ela lhe ofereceu um ramo de flores, ele colocou-lhe a mão sobre a cabeça, num ato paternalista. Esse era o sinal para os seguranças que o seguiam de que aquela menina tinha sido escolhida.

No dia seguinte, os homens de Khadafi foram buscar Soraya ao salão de cabeleireiro da mãe. Durante sete anos, conta que foi violada, espancada, forçada a consumir álcool e cocaína e depois integrada nas tropas das «amazonas» de Khadafi.

«Ele violou o meu corpo, mas perfurou também a minha alma com um punhal. A lâmina nunca saiu», conta Soraya no livro de Cojean.

Inúmeras mulheres, provavelmente dezenas ou mesmo centenas terão tido o mesmo destino de Soraya. Talvez nunca se saiba ao certo, já que o assunto ainda é tabu na Líbia.

No livro «O Harém de Khadafi», Annick Cojean diz que procura devolver um pouco de dignidade a mulheres cuja vida foi destruída por um monstro. A jornalista esteve meses em Tipoli para investigar a história de Soraya e diz que encontrou uma sociedade decadente, corrompida pelo crime e pela prostituição.

No livro, cujos excertos são avançados esta quinta-feira pela imprensa mundial, conta-se que Khadafi também abusaria de jovens rapazes, em frente ao seu harém. O livro relata ainda os abusos de álcool, droga, tabaco e Viagra. Conta ainda como Khadafi usava as mulheres para se satisfazer sexualmente, mas também para exercer o poder: ao raptar as mulheres, o ditador subjugava os homens que estavam perto delas, como os maridos ou os pais.