Mais de 500 jovens, do famoso coro católico alemão “Regensburger Domspatzen”, foram vítimas de abuso físico e sexual por parte de padres e professores, nas últimas seis décadas. A informação foi dada pelo advogado que está encarregue de investigar o caso, como refere o órgão de comunicação social alemão Deutsche Welle. 

O advogado Ulrich Weber apresentou o seu relatório de 450 páginas sobre a investigação, nesta terça-feira, e referiu que foram registados 500 casos de abuso físico e 67 casos de abuso sexual. Dos 49 sacerdotes e professores referidos no relatório, nove são acusados de abusar sexualmente de jovens do coro. Os abusos aconteceram em Ratisbona, na Baviera.

Segundo Ulrich Weber, os responsáveis pelo coro incutiram nos jovens uma “cultura do silêncio”, que lhes permitiu realizar estes abusos durante décadas.

As vítimas descreveram a experiência no coro católico como “uma prisão, um inferno e um campo de concentração”. Muitos descreveram os anos que passaram no grupo coral como “o pior momento das suas vidas, caracterizado pelo medo, violência e falta de esperança”, conta Ultich.

Em 2010, antigos membros do coro, que já existe há mil anos, alegaram que sofreram abusos sexuais quando faziam parte do grupo coral. Já em 2013, mais de 400 jovens tornaram públicas as histórias de abuso sexual que sofreram nas mãos de adultos da Igreja Católica.

A maioria dos abusos parece ter ocorrido entre 1964 e 1994, quando o coro era dirigido por Greg Ratzinger, irmão mais velho do antigo papa Bento XVI. Ultich Weber referiu que Ratzinger deve ter tido conhecimento de alguns dos abusos, embora tenha afirmado não ter qualquer informação.

O advogado pensa que o número de vítimas pode ser ainda mais elevado do que aquele que refere no seu relatório.

Ulrich Weber espera agora que as suas descobertas ajudem as vítimas a encontrarem paz e a ultrapassarem todo o sofrimento por que passaram durante a infância.

Os elementos da diocese de Regensburg trabalharam com os representantes das vítimas, ao longo da investigação, mas, por enquanto, ainda não comentaram os resultados do relatório.

No ano passado, a Igreja Católica ofereceu-se para pagar uma indemnização de cinco mil a 20 mil euros às vítimas. Contudo, de acordo com o relatório de Ultich, a questão das indemnizações vai ser tratada por um órgão independente.