O homem que vivia e abusava sexualmente de 12 meninas, com idades entre os seis meses e os 18 anos, revelou à polícia que as vítimas foram entregues pelos próprios pais, em troca de ajuda numa fase de necessidades económicas que a família atravessava.  

Quando a polícia chegou à casa de Lee Kaplan, em Feasterville, uma vila com apenas 3.000 habitantes, encontrou 12 meninas, com idades entre os seis meses e os 18 anos. A mais velha revelou ser mãe das duas crianças mais novas (de 6 meses e três anos) e que o pai seria Kaplan.

No decorrer dos interrogatórios, as autoridades descobriram que as vítimas eram familiares. As 10 meninas mais velhas eram irmãs e as restantes duas meninas eram filhas da adolescente de 18 anos e, por isso, sobrinhas das restantes. A cerca de 100 quilómetros de distância da casa de Lee Kaplan, a polícia deteve Daneil e Savilla Stoltzfus, sob suspeita de serem os pais da menina de 18 anos, contudo o casal revelou ser progenitor de todas as 10 meninas. São ainda avós das duas mais novas.

Os Stoltzfus confessaram ter entregue a filha mais velha quando esta tinha 14 anos. O casal pertencia à comunidade Amish, mas renunciou a fé em 2009 e abandonou a igreja a que pertencia, segundo o jornal Philadelphia Inquirer.

Os Amish são um grupo cristão que surgiu na Suíça, no século XVII, e desde cedo começaram a emigrar para a América do Norte. Têm uma grande presença no estado da Pensilvânia, onde se estabeleceram os primeiros grupos que chegaram aos Estados Unidos.

No sótão da casa de Kaplan foram descobertos materiais de estudo, que sugeriam que as meninas recebiam educação em casa. Também foram descobertos instrumentos musicais, incluindo violinos e clarinetes. Ao que parece, o homem dedicava-se a vender comboios em miniatura, através do site eBay, e também registou uma empresa, embora se desconheça a exatidão da atividade da mesma.

Kaplan enfrenta acusações de agressão sexual, corrupção de menores, pudor agravado, atentado ao pudor e contacto ilegal com menores, de acordo com uma queixa criminal revelada pela polícia do Município de Bucks.

O casal Stoltzfus está acusado de pôr o bem-estar das crianças em perigo, bem como de conspiração criminal e abuso sexual. Foi definida uma fiança de um milhão de dólares para que os três adultos possam esperar o julgamento em liberdade.

Após a intervenção da polícia, vários vizinhos de Kaplan disseram à imprensa local que já tinha havido denúncias anteriores quer à polícia, quer aos serviços sociais. Robert Hoopes, chefe de Segurança Pública da Polícia de Lower Southampton e responsável pela investigação, disse aos órgãos de comunicação social que as queixas recebidas no passado eram muito vagas.

Os vizinhos que alertaram para o caso há dois anos atrás, não sei que tipo de chamadas fizeram. Será que eles disseram que viviam pessoas Amish ali? Esse é um tipo de chamadas que recebemos normalmente. Não fomos alertados para suspeitas de abusos sexuais. Se isso tivesse acontecido, teríamos respondido imediatamente ", disse.

Irmão mais velho das vítimas presta declarações

Em declarações ao diário The Philadelphia Inquirer, John Stolzfus, de 19 anos e irmão das meninas, disse que sabia que as irmãs viviam com Kaplan e que a mais velha tinha tido filhos com esse homem. Referiu ainda que tinha estado com as irmãs há pouco tempo e que elas estavam bem.

Em relação a Kaplan, o jovem descreve-o como um “bom homem” e disse que as suas irmãs “podiam aprender com ele”, em especial porque a sua família provém de um “contexto Amish”, e, por isso, tem muitas necessidades educacionais.