O homem que é apontado como o cérebro dos atentados de Paris, Abdelhamid Abaaoud, pode ter dado as ordens para que os três terroristas dentro do Bataclan explodissem por chamada telefónica, a alguns metros de distância da sala de espetáculos. Uma testemunha garante ter visto o suspeito ao telemóvel a gritar durante pelo menos uma hora.

De acordo com a CNN, a testemunha diz ter estacionado o carro perto do Bataclan e por várias vezes tinha tido a necessidade de se deslocar até à viatura. Sempre que voltava, Abdelhamid Abaaoud continuava no mesmo sítio.

O homem assegura também que conseguiu ver a sua cara e que o terrorista tinha o cabelo rapado e vestia roupas largas, mas que, apesar disto, quando a sua foto foi divulgada conseguiu reconhecê-lo. A testemunha afirmou que alertou depois as autoridades.

A polícia já veio confirmar que Abdelhamid Abaaoud esteve perto do local dos ataques, depois de ter analisado os movimentos do terrorista, através do sistema de geolocalização do seu telemóvel.

No dia dos ataques, a presença do suspeito foi captada por uma câmara de vigilância no metro, a apenas alguns quilómetros do local onde foi deixado um dos carros dos terroristas, em Paris. As autoridades dizem que a localização do telemóvel sugere que Abdelhamid Abaaoud voltou para perto do Bataclan após os atentados.
 

“A presença de Abaaoud na vizinhança dos ataques mostra-nos o nível da sua implicância na supervisão e no controlo do plano e sugere que estava a dar ordens diretas e instruções à sua equipa dentro do Bataclan”, escreveu o especialista em terrorismo, Jean Charles Brisard, no jornal Sentinel.


O suspeito e uma prima foram mortos cinco dias depois do atentado, numa operação policial em Saint Denis. Segundo as autoridades, Abdelhamid Abaaoud estaria a preparar mais ataques em Paris. O jornal La Defense afirmou que escolas primárias, transportes públicos e alguns locais frequentados por judeus seriam os principais alvos.

Entretanto, a polícia continua à procura de Salah Abdeslam, que se sabe que fugiu para a Bélgica e que se pensa que possa ter viajado para a Síria.