O procurador de Paris confirmou, esta quarta-feira à tarde, que o grupo terrorista travado esta manhã em Saint-Denis, no norte de Paris, planeava "novos ataques".
 

"Dado o armamento e a organização, temos todas as razões para acreditar que este grupo poderia passar aos atos".


Em conferência de imprensa na capital francesa, François Molins não confirmou a informação avançada pelo  The Washington Post, segundo a qual teria sido morto nesta operação o mentor dos ataques de sexta-feira. O mesmo responsável precisou que ainda não se conhece a identidade dos dois suspeitos mortos durante a operação em Saint-Denis, mas adiantou que Abdelhamid Abaaoud não está entre os oito detidos desta manhã.

"As identidades não estão formalmente estabelecidas, mas Abdeslam e Abaaoud não fazem parte das pessoas que estão detidas", afiançou.



O procurador de Paris confirmou que o telemóvel encontrado sexta-feira perto do Bataclan, em Paris, continha uma sms do comandante dos ataques de 13 de novembro, que às 21:42 (22:42 em Lisboa) enviou a mensagem: "Vamos lá, comecemos". François Molins acrescentou que ainda faltam identificar dois dos sete terroristas mortos na sexta-feira.

No balanço das operações policiais levadas a cabo pelas autoridades, François Molins  sublinhou que a    investigação aberta desde sexta-feira "fez progressos consideráveis". O mesmo responsável  realçou que as autoridades  dispararam mais de cinco mil munições durante o assalto ao apartamento de Saint-Denis, de forma a travarem os terroristas. Já no apartamento, as autoridades apreenderam "autênticas armas de guerra", disse o procurador.
 

Detalhes sobre as circunstâncias dos atentados


O procurador de Paris revelou que três veículos chegaram a Paris quase em fila, vindos da Bélgica, na quinta-feira 12 de novembro, véspera dos atentados. Estes carros foram alugados pelos irmãos Abdeslam.

Dois indivíduos vieram a Paris buscar Abdeslam Salah, a seu pedido, durante a noite, para o levar de volta para a Bélgica, disse ainda François Molins.

O procurador confirmou também os alugueres em Alfortville e Bobigny, de duas habitações "conspiratórias".

Os investigadores voltaram-se para o apartamento de Saint-Denis depois de uma testemunha relatar a presença de Abdelhamid 
Abaaoud em França, referiu o procurador.