O copiloto Andreas Lubitz poderá ter despenhado deliberadamente o Airbus 320 da companhia alemã Germanwings por temer perder a licença de piloto devido a problemas médicos. A hipótese é colocada pela investigação alemã à tragédia aérea nos Alpes franceses, na qual morreram 150 pessoas há uma semana.
 
O jornal alemão «Bild» publica, esta terça-feira, as declarações de um investigador do caso, que refere que o inquérito que está a decorrer aponta para um «motivo principal».
 

«O principal motivo para nós, neste momento, é que Lubitz provavelmente tinha medo de perder a sua licença de voo devido aos seus problemas de saúde», afirma o investigador, que não é identificado.

 
De acordo com o mesmo investigador, por esse motivo, faria sentido que Andreas Lubitz ocultasse da entidade patronal que devia estar de baixa médica e que consultasse vários médicos em busca de uma segunda opinião. O «Bild» escreve que o copiloto tinha que renovar a licença de voo no próximo mês de junho.


 
O jornal alemão recorda que o copiloto de 27 anos, do voo 4U 9525, esteve em «pelo menos três ocasiões» na clínica universitária de Düsseldorf entre fevereiro e março deste ano, sendo que a última visita foi efetuada a 10 de março.
 
A procuradoria alemã indicou na segunda-feira que Andreas Lubitz foi sujeito há anos, e durante um longo período, a tratamento psicoterapêutico contra «tendências suicidas».
 
O «Bild» teve acesso a documentos do departamento médico da Lufthansa que indicam que o copiloto estava a receber tratamento psiquiátrico na altura da tragédia.


 
Esta informação liga-se a uma outra, divulgada pela revista alemã «Der Spiegel», de que o  copiloto interrompeu a formação na escola da Lufthansa, em 2009, devido a uma síndroma depressiva.
 
Além disso, o jornal francês «Le Figaro» noticiou na segunda-feira que Andreas Lubitz estava a ser tratado por um possível descolamento de retina e que o copiloto já teria perdido 30% da visão, o que colocava em causa o sonho de se tornar piloto de longo curso.