O diretor do Programa Africano no instituto de estudos britânico Chatham House considera que as migrações são o principal motor do novo olhar estratégico da Europa sobre África e avisou que o crescimento da população implica mais migração.

"A migração é a principal razão para haver um novo olhar estratégico da Europa sobre África", disse Alex Vines em entrevista à Lusa no âmbito da cimeira entre a União Europeia e a União Africana, que decorre até hoje em Abdijan, a capital económica da Costa do Marfim.

"Por enquanto, a maioria da migração é interna em África, mas devemos esperar mais migração para a Europa à medida que a população africana cresce", disse Alex Vines à Lusa, prevendo um falhanço na visão da Europa como uma fortaleza fechada.

Isso não vai funcionar a longo prazo, por isso os líderes europeus precisam de começar a pensar em políticas mais inteligentes sobre este confronto emergente", disse o académico, apontando como exemplos os modelos de migração circular.

Para Vines, o modelo de ajuda pública ao desenvolvimento está "ultrapassado e precisa de ser repensado", precisando de iniciativas em três áreas: "Encorajar o Investimento Direto Estrangeiro para alavancar os negócios em África; treinar africanos para 'acelerarem' o desenvolvimento tecnológico e melhor governação e responsabilização, para encorajar o investimento a longo prazo".

Os principais tópicos em cima da mesa nesta cimeira, argumentou Alex Vines, são o comércio, o investimento e o emprego jovem, mas a chave do sucesso está "em aumentar o mercado laboral para absorver a juventude, o que implica crescimentos económicos de 8 a 10% ao ano, e não de 3%, como está previsto para este ano, o que é claramente insuficiente".

A quinta cimeira UE/África decorre entre 29 e 30 de novembro em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim, com o tema "Investir na Juventude para um futuro sustentável", e conta com cerca de 80 chefes de Estado e de Governo dos países europeus e africanos.

A primeira cimeira UE-África, que se realizou no Cairo (Egito) em 2000, foi promovida por Portugal, durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

Em 2007, novamente sob a égide da presidência portuguesa, Lisboa acolheu a segunda edição destas cimeiras.