O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai realizar esta terça-feira à tarde uma reunião de emergência em Nova Iorque a pedido de Tóquio e de Washington, na sequência do lançamento de um míssil da Coreia do Norte, anunciaram diplomatas citados pela agência de notícias francesa AFP.

A convocatória da reunião do Conselho de Segurança da ONU  tem lugar depois do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terem acordado, ao telefone, “aumentar a pressão sobre a Coreia do Norte”.

Na conversa telefónica, que durou cerca de 40 minutos, os dois líderes analisaram o lançamento de um míssil pela Coreia do Norte que, pela primeira vez desde 2009, sobrevoou o arquipélago japonês antes de cair a leste da ilha de Hokkaido em águas do Pacífico.

Donald Trump e Shinzo Abe “coincidiram totalmente” relativamente à postura e às medidas a tomar antes das constantes provocações da Coreia do Norte, assinalou o primeiro-ministro nipónico em declarações reproduzidas pela televisão estatal NHK.

De acordo com a Reuters, o embaixador dos EUA para o Desarmamento disse, entretanto, que este mais recente lançamento por parte da Coreia do Norte é "outra provocação " e uma grande preocupação.

Washington ainda tem de fazer "análises futuras" sobre o míssil que sobrevoou o arquipélago japonês, mas isso será objeto de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas no final do dia, disse Robert Wood aos jornalistas em Genebra, na Suíça.

É outra provocação da Coreia do Norte, elas continuam a acontecer. Esta é uma grande preocupação, claro, para o meu governo e vários outros governos ", afirmou ainda o enviado dos EUA, antes de uma sessão da Conferência sobre Desarmamento, promovida pela ONU, onde o embaixador norte-coreano Han Tae Song vai falar.

O míssil disparado pelas 06:30 (23:00 de segunda-feira em Lisboa), a partir das proximidades de Pyongyang, caiu a cerca de 1.180 quilómetros do Cabo de Erimo, na ilha de Hokkaido, após percorrer mais de 2.700 quilómetros e alcançar o "pico" a aproximadamente 550 quilómetros de altura antes de cair no mar, de acordo com informações do Executivo japonês.

Rússia “extremamente preocupada”

A Rússia declarou esta terça-feira estar “extremamente preocupada” com a situação na península coreana, constatando uma “tendência para uma escalada” da tensão, depois de Pyongyang ter disparado um míssil que sobrevoou o Japão.

Nós vemos uma tendência para uma escalada (…) e estamos extremamente preocupados com o desenvolvimento geral” da situação na península, declarou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Riabkov, citado pela agência noticiosa estatal RIA Novosti.

Reino Unido “indignado”

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, afirmou esta terça-feira estar “indignado” com o “imprudente” lançamento pela Coreia do Norte de um míssil que sobrevoou, pela primeira vez desde 2009, o Japão.

Indignado pela provocação imprudente da Coreia do Norte. Condeno, nos mais fortes termos, o último lançamento ilegal por parte da RPDC [República Popular Democrática da Coreia, nome oficial do país]”, escreveu Boris Johnson na conta na rede social Twitter.

 

UE pede fim das provocações

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, condenou esta terça-feira o lançamento pela Coreia do Norte do míssil que sobrevoou o Japão e exortou Pyongyang a abster-se de mais provocações.

Estas ações constituem manifestas violações das obrigações internacionais da República Democrática da Correia do Norte estabelecidas em várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou Mogherini em comunicado.

Austrália quer mais sanções

Também o primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, condenou esta terça-feira, “nos termos mais fortes”, o lançamento pela Coreia do Norte de um míssil que atravessou o espaço aéreo do Japão, defendendo a aplicação de mais sanções económicas a Pyongyang.

O regime norte-coreano continua, de forma temerária, a ameaçar a paz e a estabilidade da região e do mundo. Instamos todos os países a impor as mais duras sanções estipuladas pelo Conselho de Segurança [da ONU] contra a Coreia do Norte, e é de vital importância que a China se junte”, afirmou Malcolm Turnbull à rádio 5AA.

China e Coreia do Sul pedem contenção

A China apelou esta terça-feira ao diálogo para pôr fim à crise em torno do programa nuclear e de misseis balísticos da Coreia do Norte, considerando que as sanções ao regime não contribuem para encontrar uma solução.

"Os factos demonstraram que a pressão e as sanções não podem solucionar o fundo da questão", afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, em conferência de imprensa.

"A única via é a do diálogo e consultas", acrescentou Hua, horas após a Coreia do Norte ter lançado um míssil que sobrevoou o norte do Japão.

Também a Coreia do Sul insistiu esta terça-feira que vai procurar o diálogo com a Coreia do Norte, enquanto responde com firmeza aos seus testes de mísseis.

O Governo fará esforços diplomáticos para resolver o problema nuclear da Coreia do Norte de forma pacífica”, afirmou o ministro da Unificação de Seul, Cho Myoung-gyon, após o mais recente disparo de um míssil por parte de Pyongyang, citado pela agência Yonhap.

O titular sul-coreano da Unificação fez o comentário durante a intervenção num fórum sobre ajuda humanitária à Coreia do Norte.