Como habitualmente, mais um anúncio no Twitter, com ponto de exclamação e a palavra muro em maiúsculas. Donald Trump usa um tom de novidade, mas é enganador. Desta vez, o tweet veio acompanhado de imagens de obras alegadamente do muro a construir na fronteira com o México.

Promessa de bandeira durante a campanha eleitoral, há quatro dias, a 25 de março, o presidente norte-americano disse que a construção iria começar "de imediato". Acontece que as imagens que publicou são de antes, datadas de 15 de março e dizem respeito a obras, sim, mas numa vedação que já existia.

Vê-se o aparato dos guindastes e das gruas ao longo da fronteira, bem como os trabalhadores no ativo. Porém, trata-se de parte de uma barreira de três quilómetros, erguida na década de 90, que foi sujeita a obras no mês passado no mês passado, antes de o Congresso recusar financiar o muro de Trump na totalidade.

Essa barreira fica na zona de fronteira onde Trump quer construir o muro, mais precisamente em Calexico. Segundo a Associated Press, será "demolida" para a nova vir a ter "30 pés de altura, significativamente mais alta do que a parede existente". 

O congresso norte-americano aprovou 1.600 milhões de dólares para a obra, longe dos 25.000 milhões de dólares que o Presidente tinha pedido.

A este propósito Ann Coulter, ex-aliada conservadora do presidente, declarou que Trump "não está a dar o que prometeu em cada comício da campanha". Não só não tem o financiamento que queria, como a promessa repetida vezes sem conta de que o México é que pagaria o muro há muito que se percebeu que não seria assim.

O presidente norte-americano visitou, na primeira quinzena deste mês, na zona de San Diego, Califórnia, oito protótipos do muroMas foi apenas isso que já conseguiu, na prática.