Carles Puigdemont. presidente do governo catalão demitido por Madrid, não aceita a decisão do Executivo espanhol e apela à paciência da população e à continuação da luta pela independência de forma pacífica.

Numa declaração institucional de três minutos na sede do executivo regional e transmitida pela TV3, Puigdemont apelou este sábado a uma resistência democrática à aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola, que suspende a autonomia regional.

"Numa sociedade democrática são os parlamentos que elegem os governos", disse Puigdemont. "Não temos a razão da força nem a queremos. Continuaremos a trabalhar para construir um país livre e para manter a fraternidade com os povos de Espanha", garantindo que não vai sair de cena.

O presidente destituído do governo regional da Catalunha, acusou Mariano Rajoy e o Governo central de estarem a contrariar a vontade dos cidadãos ao travar o processo de independência da região.

O Governo espanhol tomou decisões contrárias à vontade dos catalães", disse Puigdemont, na mensagem que foi gravada em Girona e em que surgiu com as bandeiras da Catalunha e da União Europeia atrás.

Carles Puigdemont pediu a todos os catalães que "continuem a perseverar sem violência, sem insultos, de forma inclusiva e respeitando pessoas e símbolos e também os catalães que não estão de acordo com a maioria parlamentar [que declarou a independência]”. 

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, delegou este sábado na vice-presidente, Soraya Sáenz de Santamaria, as funções e competências do presidente do governo da Catalunha cessante, mas Carles Puigdemont garante que continua no cargo.

O Governo espanhol ordenou na sexta-feira a destituição do presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, o vice-presidente, Oriol Junqueras, e todos os ministros regionais da Generalitat, medidas ao abrigo da aplicação do artigo 155 da Constituição, que permite ao governo central suspender parte ou na totalidade a autonomia de uma região espanhola.

Mariano Rajoy anunciou também a extinção das representações do governo regional no estrangeiro (entre elas a de Portugal), com exceção da delegação de Bruxelas.

O Conselho de Transição Nacional, criado para assessorar o governo regional em caso de independência, e o Conselho de Diplomacia Pública também foram encerrados.

À luz do artigo 155 da Constituição, o Governo destituiu igualmente o diretor-geral dos Mossos d'Esquadra, polícia regional da Catalunha, Pere Soler. Já este sábado de madrugada, o Executivo demitiu Josep Lluís Trapero, o comandante operacional dos Mossos d'Esquadra.

As medidas surgiram depois de o Parlamento catalão ter aprovado a declaração unilateral da independência.