A vaga de frio siberiano que atinge o continente europeu deve acentuar-se esta terça-feira, depois de ter causado pelo menos dez mortos nos últimos três dias.

Em França, três pessoas sem-abrigo foram encontradas mortas no domingo em Valence (sudeste) e um outro, na sexta-feira, na região parisiense.

As temperaturas glaciais, agravadas por um vento de nordeste, devem alcançar hoje 10 graus negativos (com uma sensação térmica de 18 graus negativos.

Hoje e quarta-feira devem ser os dias mais frios em França, onde não se registavam estas temperaturas desde 2005.

Em Bruxelas, Bélgica, com temperaturas entre -10ºC e -15ºC, foi ordenada a detenção administrativas de pessoas que não vão voluntariamente para os abrigos, uma medida já aplicada a dez sem-abrigo.

Na capital italiana, Roma, uma fina camada de neve cobriu as ruas, ao fim de seis antes, obrigando ao encerramento de escolas.

Na região de Veneza, Dolina Campoluzzo, situada a uma altitude de 1.768 metros, registou na noite de domingo uma temperatura de 40 graus negativos, devido a um microclima.

Na Alemanha, no topo do Zugspitze (2.962 metros), a montanha mais alta daquele país, os termómetros desceram na noite de domingo até aos -27ºC. Em Berlim, onde perto de 3.000 vivem nas ruas, os refúgios correm o risco de ficar sobrelotados.

As temperaturas baixaram para os 23 graus negativos em Tamsweg, perto de Salzburgo (oeste). O rio Danúbio está congelado em algumas partes.

Nas Canárias, na ilha de Tenerife, oito turistas alemãs tiveram de passar a noite de domingo numa gruta devido à chuva e vento fortes, antes de terem sido socorridos por via marítima. Novecentos outros turistas foram forçados a passar a noite nos hotéis, por causa dos desvios dos voos.

Em Sófia, capital da Bulgária, a temperatura mínima é de sete graus negativos e os serviços meteorológicos emitiram alerta laranja (o segundo mais grave) para duas regiões do sul, próximas da Grécia. O tráfego no aeroporto da capital está a sofrer perturbações.

Na Roménia, um homem de 65 anos foi encontrado morto no exterior da sua casa. A circulação de vários comboios foi interrompida por causa da neve e escolas por todo o país devem permanecer hoje fechadas.

Outro acontecimento raro verificou-se na costa do Adriático, onde nevou. Na segunda-feira, a capital da Croácia, Zagreb, os termómetros chegaram aos dez graus abaixo de zero.

A vaga de frio, dominada “O Urso da Sibéria”, deve culminar na quinta-feira com uma temperatura sentida de 17 graus negativos, segundo o Instituto Meteorológico.

A neve está a atingir o leste de Inglaterra e os serviços meteorológicos emitiram alertas até quarta-feira, inclusive. Esta semana deverá ser a “mais fria” dos últimos anos.

Em Estocolmo, as temperaturas rondam os cinco graus negativos e chegam aos -20ºC em Östersund, um destino de esqui.

Na Suécia, a neve perturbou na segunda-feira o tráfego no aeroporto de Arlanda, na capital, e os comboios ficaram bloqueados no oeste.

Quatro pessoas morreram desde sexta-feira, elevando a 48 o número de mortos causados pelo frio desde novembro.

Três pessoas morreram nos últimos três dias, segundo a agência Baltic News Service, com sede na Estónia.

Na Rússia, registaram-se temperaturas “anormalmente frias” no centro do país e em Moscovo, oscilando entre os -14ºC e os -24ºC, esperando-se um “pico de frio”.

Em Portugal, os serviços meteorológicos emitiram avisos laranja para três distritos – Bragança, Vila Real e Guarda – devido à queda de neve acima dos 400/600 metros.