A União Democrata Cristã (CDU) de Angela Merkel assegurou neste domingo o quarto mandato consecutivo, mas terá de se coligar, após uma votação mais reduzida, segundo os resultados finais.

A chanceler alemã conquistou 33% dos votos - o pior resultado eleitoral de sempre, menos oito pontos que há quatro anos, mas mais 12 que o Partido Social Democrata (SPD), liderado por Martin Schulz, com 20,5%, e do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita.

A AfD, com 12,6% dos votos, entra no parlamento alemão pela primeira vez em mais de meio século.

Angela Merkel reagiu às primeiras projeções, admitindo que esperava “um melhor resultado” nas eleições. Prometeu, por isso, reconquistar o eleitorado do partido da extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Nós alcançamos o objetivo estratégico", disse Merkel na sede do partido União Democrata Cristã (CDU), em Berlim, referindo que o resultado foi "menos bom" do que esperava.

O grande derrotado do dia, Martin Schulz, que deixou a presidência do Parlamento Europeu para ser candidato às legislativas, assumiu já o mau resultado - o pior do SPD desde a Segunda Guerra Mundial - e também que não se coligará com Angela Merkel.

Esta tarde termina o trabalho com a CDU e a CSU", anunciou, referindo-se aos dois partidos conservadores liderados por Angela Merkel e que governavam em coligação com o partido de Martin Schulz desde 2013.

"Nós recebemos um mandato claro dos eleitores para ir para a oposição", analisou Schulz, admitindo "um dia difícil e amargo para a social-democracia alemã".

"Perdemos a eleição federal", admitiu Martin Schulz, lembrando que o seu partido contribuiu para leis importantes no país, como a criação de um salário mínimo.

Referindo-se à entrada da extrema-direita no Parlamento, com quase 13% dos votos, Schulz afirmou que é "uma cisão que nenhum democrata pode ignorar".

A ida para a oposição do SPD impede que os nacionalistas da extrema-direita sejam o principal partido da oposição, mas deixa Merkel sem maioria no Bundestag.

Também o partido de extrema-direita nacionalista e anti-imigração alemão, Alternativa para a Alemanha, já reagiu, prometendo "mudar o país" e fazer "marcação" à chanceler, como terceira força política no Bundestag.

"Nós vamos mudar o país, vamos fazer marcação à senhora Merkel, vamos recuperar o nosso país", disse Alexander Gauland, um dos cabeças de lista do partido.

"Nazis, fora!"

Centenas de pessoas protestaram esta noite em várias cidades alemãs contra o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), depois de, segundo as sondagens, ter passado a ser a terceira força política mais votada, proferindo gritos de revolta como "toda a Berlim odeia os nazis" ou "o racismo não é uma alternativa".

Pouco depois do anúncio dos resultados provisórios, foram organizadas manifestações espontâneas em frente à sede do partido em Colónia, onde se concentraram cerca de 400 pessoas, em Frankfurt, Munique e Berlim.

Na capital alemã, um impressionante cordão policial foi montado para conter a manifestação de menos de mil participantes, concentrados em frente ao salão alugado pelo AfD para a sua noite de eleição, situado em pleno centro de Berlim, segundo a agência de notícias francesa AFP.