Mais de uma centena de pessoas morreram na sequência de um forte sismo de 6.2 na escala de Richter, em Itália, esta madrugada. Até ao momento, há registo de 159 vítimas mortais, segundo o último balanço anunciado pela Proteção Civil italiana. Muitas vítimas são crianças.

A agência italiana ANSA referiu, anteriormente, que há ainda 368 feridos nas localidades de Amatrice e Accumoli.

A responsável da Proteção Civil, Immacolata Postiglione, anunciou durante a tarde que as operações de resgate continuam nas vilas devastadas pelo terramoto.

São dezenas de desaparecidos, mas dar um número preciso é muito difícil".

Ao início da tarde, outro responsável da Proteção Civil italiana, Fabrizio Curcio, revelou à imprensa que o número de vítimas estava a aumentar, mas que só à noite haveria um balanço significativo da tragédia.

De acordo com o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia, o sismo atingiu uma magnitude de 6.0 e uma profundidade de quatro quilómetros, tendo sido registado às 3:36 com epicentro em Accumoli, em Rieti. O epicentro foi localizado na região de Perugia, a nordeste de Roma, a apenas quatro quilómetros de profundidade, e chegou a ser sentido na capital italiana.

A este primeiro abalo seguiram-se 60 réplicas: uma de magnitude 3,9 perto de Perugia, outras duas de magnitude 3,9 e 3,8, sempre perto de Riete. O segundo abalo mais forte, de magnitude 5,4, foi registado às 4:33, com epicentro em Norcia (Perugia) e Castelsantangelo sul Nera (Macerata). A partir das 6:00, as réplicas diminuíram de intensidade, mas continuam a acontecer.

Metade de Amatrice "desapareceu"

O presidente da câmara de Amatrice, na província de Rieti, na região de Lácio, afirmou que “metade da cidade desapareceu” na sequência do sismo.

Metade da localidade já não existe” e “há pessoas debaixo dos escombros”, afirmou o autarca de Amatrice, Sergio Pirozzi, em declarações aos ‘media’.

Sergio Pirozzi confirmou a existência de significativos desmoronamentos em vários edifícios e pontes que complicam o acesso ao local por parte das autoridades.

Agora que a luz do dia começa a aparecer, vemos que o cenário é ainda mais medonho do que o que temíamos. Vários edifícios caíram, há pessoas presas debaixo dos escombros e não há sinais de vida", descreve o presidente da Câmara de Acccumoli.

Presidente italiano pede ao país que se una

O presidente italiano emitiu um comunicado onde pede ao país que se una e que seja solidário com as vítimas desta tragédia.

“É um momento de tristeza e da responsabilidade conjunta. O país inteiro deve unir-se e ser para com as pessoas afetadas", afirmou o presidente da República, Sergio Mattarella, em comunicado.

Os meus primeiros pensamentos estão com as vítimas deste devastador terremoto que atingiu uma tão grande do território nacional. A necessidade imediata é envolver todas as forças para salvar vidas, tratar dos feridos e assegurar as melhores condições para os deslocados. Em breve será necessário um esforço coletivo para assegurar a rápida a reconstrução das cidades destruídas, para retomar as atividades de produção e a recuperar a vida normal".

Dezenas de pessoas soterradas nos escombros

As primeiras mortes confirmadas foram um casal de idosos, cuja casa, em Pescara del Tronto, na região das Marcas, colapsou, de acordo com os meios de comunicação social italianos, incluindo a emissora pública Rai, que cita os 'carabinieri'.

Já em Accumoli, vários habitantes escavam com as próprias mãos para tentar salvar uma família de quatro pessoas - um casal e dois filhos - presa debaixo dos escombros.

Os bombeiros estão a usar uma câmara térmica para ajudar na orientação das escavações. Há ainda uma retroescavadora particular a ajudar na retirada dos escombros.

Segundo a imprensa italiana, as equipas de resgate ainda não chegaram a todas as zonas afetadas pelo terramoto e o exército já foi mobilizado para ajudar nas buscas uma vez que há centenas de pessoas desaparecidas. Vários hospitais já acionaram o plano de emergência para receber os feridos, cujo número ainda está por determinar, e algumas das unidades de saúde estão a apelar a que as pessoas doem sangue.

Estão ainda a ser preparados abrigos para acolher as centenas de pessoas que ficaram sem casa.