Com a morte do rei Abdullah, esta quinta-feira, o príncipe Salman tornou-se o novo rei da Arábia Saudita. O até agora número dois do reino e ministro da Defesa, já assumia, no entanto, algumas das responsabilidades do irmão desde que a saúde deste começou a ficar debilitada. Mas quem é, afinal, o rei Salman?


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Devido à frágil saúde do antigo rei, nos últimos anos, Salman ganhou bastante visibilidade ao presidir o Conselho de Ministros com frequência e ao representar o irmão Abdullah no exterior. 

Com várias visitas aos países ocidentais e à Ásia, a sua carreira ganhou uma dimensão internacional que, até 2012, estava centrada em assuntos domésticos.


Governador de Riade

Com efeito, o percurso de Salman fez-se sobretudo dentro do país e, mais precisamente, na província de Riade, que governou durante 48 anos.

Salman, que assumiu este cargo com apenas 19 anos, transformou a capital da província Riade, pequena, isolada, no meio do deserto, numa cidade populosa e cosmopolita, com arranha-céus, universidades e cadeias de fast-food ocidentais.


Ministro da Defesa

Mas depois da morte do irmão, Sultan, Salman assumiu a pasta da Defesa e tornou-se o líder das forças militares sauditas em 2012.

Foi com Salman como ministro e responsável máximo da Defesa que a Árabia Saudia se juntou à coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos, para bombardear o Estado Islâmico, na Síria.


Que diferenças e semelhanças com o seu antecessor?

Durante o seu reinado, Abdullah promoveu algumas mudanças importantes na Arábia Saudita, desenvolvendo um conselho consultivo, reforçando o controlo sobre as finanças do país e modernizando o sistema da justiça islâmica. 

Deu apoios a clérigos mais modernistas e até criou uma universidade que, pela primeira vez, permitiu que homens e mulheres se misturassem, para estudar, sem quaisquer restrições. 

Já Salman é visto como um conservador. Muitos especialistas acreditam que, ao contrário do seu antecessor, o novo rei não estará tão interessado em reformas políticas e sociais e a sua prioridade deverá ser manter a estabilidade do país.

Além disso, a sua reputação está mais orientada no sentido de uma liderança mais rigorosa em termos religiosos.

Apesar destas diferenças, a verdade é que os especialistas consideram que não é expectável que ocorram grandes mudanças nesta passagem do trono. 

O novo rei tem demonstrado um forte compromisso com as causas humanitárias e, desde 1956, dirigiu vários comités de ajuda aos sem-abrigo de países árabes e islâmicos.

De destacar também o facto de ser considerado uma espécie de mediador dentro da enorme família real saudita, com a sua complexa rede de fações e rivalidades.
 

Saúde

Com 79 anos, a saúde do novo rei denota algumas fragilidades. 

Segundo a imprensa internacional, terá sofrido um AVC que lhe terá limitado os movimentos no braço esquerdo. 

Nas últimas vezes em que foi visto em público, terá parecido estar de boa saúde, mas, ainda assim, há quem ponha em causa o seu vigor dada a idade avançada. 
 

Filhos

- Vice-primeiro-ministro do Petróleo, Príncipe Abdulaziz
- Governador de Medina, Príncipe Faisal
- Líder do turismo, antigo piloto da força aérea e astronauta, Príncipe Sultan


Depois da morte do irmão, o novo rei Salman nomeou imediatamente o irmão mais novo, Muqrin, como seu herdeiro. Uma reação rápida para evitar especulações sobre a sucessão real e instabilidade naquele que é o maior país exportador de petróleo do mundo.