Robert Mugabe renunciou ao cargo de presidente do Zimbabué, nesta terça-feira, através de carta, anunciou o líder do parlamento, citado pelas agências internacionais.

Eu, Robert Gabriel Mugabe, nos termos do artigo 96 da constituição do Zimbabué, venho por este meio apresentar, formalmente, a minha demissão (...) com efeitos imediatos", disse Jacob Mudenda, citando a carta escrita.

O anúncio foi recebido com aplausos e vivas por parte dos deputados, que se encontravam reunidos desde o princípio da tarde para iniciar o processo de destituição do presidente no poder há 37 anos.

A renúncia acontece também depois de, no domingo, Robert Mugabe, 93 anos, ter anunciado que iria manter-se à frente do seu partido até dezembro, contra a decisão da União Nacional Africana do Zimbabué-Frente Nacional (ZANU-PF), que o demitiu

Na quarta-feira, as forças armadas zimbabueanas detiveram Robert Mugabe e a mulher, Grace Mugabe, e garantiram o controlo de todas as instituições governamentais, depois de o chefe de Estado ter destituído o seu vice-presidente e aliado de longa data, Emmerson Mnangagwa, de 75 anos, que tinha estreitas ligações com os militares.

A ação político-militar teve as características de um golpe de Estado, uma vez que foram também detidos ou colocados sob prisão domiciliária grande parte dos membros do Executivo.

Grace Mugabe foi também expulsa do partido, bem como os ministros da Educação Superior, Jonathan Moyo, e das Finanças, Ignatius Chombo, próximos de Mugabe.

Fonte oficial do ZANU-PF disse à agência Associated Press que o vice-presidente demitido por Mugabe, Emmerson Mnangagwa, vai assumir a liderança do país nas próximas 48 horas.