O ministério dos Negócios Estrangeiros da China assegurou que não houve precondições económicas para o estabelecimento das relações diplomáticas com El Salvador e que aquele país centro-americano "não é troco" para Taiwan.

"O estabelecimento dos laços diplomáticos é uma decisão política e não uma moeda de troco", sublinhou em conferência de imprensa o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang.

Lu assegurou que o Governo de El Salvador "reconheceu o princípio de 'uma só China' sem precondições económicas".

Pequim reagiu assim às acusações de Taipé, que afirmou hoje que o Governo salvadorenho pediu uma grande quantia de dinheiro em troca de manter as relações, e que Taiwan, em reação, decidiu romper com estas.

O porta-voz disse ainda que "o povo de Taiwan devia entender melhor a tendência dos tempos, em vez de pensar em dólares".

Lu sublinhou ainda que a China continua interessada em negociar o estabelecimento de laços com outros países, entre os quais a "única nação africana que mantém relações com Taiwan", numa referência à Eswatini (antiga Suazilândia).

Países que mantêm laços diplomáticos com Pequim não podem ter ligações a Taipé e vice-versa.

Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China, mas Pequim considera-a uma província chinesa e ameaça usar a força caso declare independência.

Taipé e Pequim atravessam um período de renovadas tensões, desde a vitória de Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista (DPP), pró-independência, nas eleições presidenciais em Taiwan, em 2016.

Sob o seu mandato, cinco Estados já romperam relações com Taipé, incluindo São Tomé e Príncipe.