A Alemanha está a "apertar o cerco" da sua relação com a Turquia, após a detenção de um ativista alemão dos direitos humanos naquele país, anunciou o chefe da diplomacia alemã.

Sigmar Gabriel comunicou igualmente, em conferência de imprensa, uma “reorientação” geral da política alemã para a Turquia, incluindo a revisão das ajudas para o investimento no país e a discussão sobre o futuro apoio de que Ankara beneficia da União Europeia.

"Precisamos que as nossas políticas com a Turquia vão num sentido diferente. Não podemos continuar a utilizar o que fazíamos até agora. Temos que ser mais claros do que tínhamos sido até agora para que, em Ancara [a capital], os responsáveis percebam que as suas políticas têm consequências", disse Sigmar Gabriel aos jornalistas, citado pela Reuters.

O ativista alemão pertence a um grupo de 10 ativistas detidos a 5 de julho, quando participavam num curso de formação sobre segurança informática e segurança de dados que decorria na ilha de Büyükada, ao largo de Istambul.

A decisão alemã coloca mais pressão no seio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO em português), que conta entre os 28 membros, entre eles a Turquia e a Alemanha. à medida que a escalada de tensão não tem limites.

O chefe da diplomacia alemã e deixou um alerta para os riscos que os alemães podem correr ao viajarem para aquele país.

O clima de tensão na Turquia tem vindo a subir de tom. Istambul e a capital Ancara estão em polvorosa. No passado sábado havia militares nas ruas e helicópteros a sobrevoarem os céus. O primeiro-ministro respondeu e disse tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado levada a cabo por uma fação militar, e garantiu já controlar a situação.

A crise também faz com que as relações da Turquia com o resto da Europa se deteriorem, gradualmente. Esta semana foi a vez de Dinamarca se colocar ao lado da Holanda contra o que sucede no país, com o primeiro-ministro dinamarquês a pedir ao homólogo turco que adie a visita á Dinamarca que estava prevista para este mês.

O Governo dinamarquês adianta ainda que está a acompanhar os desenvolvimentos na Turquia “com grande preocupação, enquanto os princípios democráticos estão sob uma pressão considerável”.

 Marcelo Rebelo de Sousa alertou, este domingo, para a necessidade de evitar divisões na Europa e que possam comprometer o relacionamento com a Turquia, numa referência à atual crise político-diplomática entre Ancara e diversos países europeus.